Especial para a Folha
Se os 400 mil motoristas de Curitiba que compraram kits de primeiros socorros doarem os materiais à Santa Casa de Misericórdia, o hospital poderá economizar cerca de R$ 11 mil. A campanha de incentivo à doação está sendo desenvolvida pelo Rotary Clube de Curitiba, que afixou 620 cartazes em pontos comerciais estratégicos da cidade. Gases, ataduras, bandagens, esparadrapos, luvas, compressas e lenços antissépticos serão aproveitados no ambulatório, onde aproximadamente cinco mil pessoas são atendidas mensalmente, a maioria carente. Desde que a campanha foi lançada, há uma semana, o hospital recebeu apenas 400 kits, mas espera-se que as doações aumentem nos próximos dias. Cada kit custaria para a Santa Casa, com exceção das tesouras e estojos, R$ 2,99. A economia é fundamental, já que estes produtos básicos têm vida útil de dois anos e fazem parte do conjunto de material cirúrgico que representa um investimento mensal superior a R$ 100 mil. Sem utilidade para o hospital, as tesouras sem pontas e os estojos estão sendo separados para serem doados a creches e asilos.
Onde entregar - Para a coordenadora do trabalho, Valéria Moritz, 26 anos, muitos acham que a lei que revogou a obrigatoriedade do kit pode mudar e preferem reter o estojo. ‘‘Mas aos poucos os doadores começam a aparecer’’.
Quem quiser doar o material - que desde o início não foi bem aceito pelos motoristas brasileiros - pode entregá-lo em mais de 100 locais, entre eles o Detran, auto-escolas, supermercados, farmácias, postos de gasolina, lojas de automóveis, e na própria Santa Casa. Nas portarias do Santa Mônica Clube de Campo também há postos de recebimento. O repasse à Santa Casa será semanal, se as doações forem significativas.
Dificuldade - Com uma dívida de R$ 4 milhões, acumulada em 10 anos pela falta de repasse de recursos por planos de saúde e poderes públicos, os 246 leitos da Santa Casa estão permanentemente ocupados. Setenta por cento dos atendimentos são realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e o restante por convênios.
‘‘O SUS paga pouco, mas paga em dia. Seria bem pior sem ele, pois nossa arrecadação é menor que as despesas’’, alega o provedor Ary de Christan, sem querer especificar valores.
Interessados em doar o kit podem ligar para o telefone (041) 322-2000 ou simplesmente entregá-lo nos pontos de coletas.

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