'Kit cobra' surpreende funcionários dos Correios
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Fernanda Carreira <br> <br> Reportagem Local 
Um verdadeiro ''kit cobra''. Esta foi a surpresa com a qual funcionários do Centro de Distribuição de Encomendas dos Correios de Londrina se depararam nesta semana, após desconfiarem de um pacote e acionarem a Polícia Ambiental. Ao abrirem a embalagem, os policiais encontraram, além do filhote da cobra não venonosa, possivelmente da espécie cobra de milho (corn snake), 18 filhotes de ratos mortos e congelados para a alimentação futura do animal, além de objetos, uma resistência elétrica simulando uma pedra para aquecimento do réptil, espumas e embalagens para a acomodação do animal.
Segundo o comandante da Companhia de Polícia Militar Ambiental de Londrina, capitão Ricardo Eguedis, o filhote que mede aproximadamente 20 centímetros e tem idade aproximada de 30 dias, estava amarrado em um pedaço de meia feminina e acondicionado em um pote plástico molhado com água. A descoberta aconteceu na terça-feira.
O comandante informou que a correspondência foi postada na cidade de São Paulo (SP) e tinha como destino uma residência na cidade de Abatiá, no Norte Pioneiro. O remetente ainda não foi identificado e o destinatário, segundo Eguedis, afirmou não saber da ilegalidade da ação. Segundo o comandante, os acusados podem responder por maus-tratos.
''Ao concordarem com a remessa do animal pelo correio, em tese, eles foram causadores e coniventes com o sofrimento causado a um ser vivo e por isso devem ser responsabilizados por maus-tratos'', afirmou. ''Além disso, a introdução deste espécime exótica pode ser prejudicial ao nosso bioma, com inserção de novas doenças e desequilíbrio ambiental grave.''
A cobra é natural dos Estados Unidos e México. Quando adulto, o animal pode atingir o comprimento de 1,5 metro. Até a tarde de ontem, o animal permanecia no Jardim Botânico (Zona Sul), sob os cuidados do Batalhão de Polícia Militar Ambiental, e seria submetida a exames de um médico veterinário e um biológo para verificar suas condições de saúde. Depois, o animal seria encaminhado para um criador cadastrado pelo Ibama.
Casos raros
Apesar de não ter um levantamento de apreensões de animais silvestres em encomendas realizadas neste ano, os Correios informaram, por meio da assessoria de imprensa, que são raros os casos de ações criminosas como essa, até devido à grande divulgação da mídia quando ocorre alguma ação semelhante.
De acordo com a assessoria, é orientado aos funcionários que todas as encomendas passem pelo tratamento carga, em que é realizada a verificação de segurança com o espectômetro. Havendo indício, o orgão competente é acionado.
Outros animais já foram encontrados em embalagens de Sedex no Norte do Paraná. Em dezembro do ano passado, um filhote de iguana foi achado em uma encomenda que veio de São Paulo a Londrina, mas o destino final seria uma cidade do Norte e que na época não foi divulgada.
No mesmo mês, durante a separação das correspondências, os profissionais dos Correios notaram que o conteúdo de um dos pacotes seria de animais vivos, através de Raio-X. Policiais ambientais foram até o local e se surpreenderam com a presença dos três peixes, que seriam enviados de São Paulo a Guaíra (Oeste).
Trinca ferro
Ainda na terça-feira, três aves silvestres, da espécie Trinca Ferro, foram apreendidas pela Polícia Rodoviária Estadual em Floresta (Noroeste). Segundo informações da PRE, as três aves estavam presas em gaiolas, dentro de uma bolsa, em um dos bancos de passageiro de um ônibus que fazia a linha Foz do Iguaçu-Rio de Janeiro. As aves, de acordo com a polícia, estavam sem anéis de registro de identificação e o proprietário da bagagem não foi encontrado. As aves foram encaminhadas ao 2º Pelotão Polícia Ambiental, em Maringá.
Serviço - Denúncias de crimes ambientais podem ser feitas pelo fone 0800-6430304. Em Londrina, a denúncia pode ser realizada diretamente à 2 Companhia de Polícia Ambiental, pelo fone (43) 3341-7733.


