Karst pode ser causa de novo buraco
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segunda-feira, 19 de outubro de 1998
Anna Camanducaia 
A exploração do Aquífero Karst pode ter provocado o desmoronamento de um terreno em Campo Magro, na Região Metropolitana de Curitiba. A prefeitura deve chamar um geólogo ainda esta semana para verificar a causa do grande buraco que se formou numa das chácaras do bairro Bom Pastor.
O diretor de urbanismo da prefeitura, o arquiteto Juliano de Castro Ricardo dos Santos, disse que o Karst pode ser o responsável pelo afundamento do terreno, já que o movimento da terra foi vertical. A terra não deslizou, afundou.
O terreno onde mora Eugênio Rugiski, 28 anos, ficou com um desnível de 2,5 metros. Segundo ele, o afundamento começou há 15 dias e ainda continua. Temos medo que o paiol, onde guardamos mantimentos agrícolas, caia, disse Rugiski. Também estamos preocupados com os animais.
Se o problema ocorresse num centro urbano, o prejuízo seria ainda maior. Um movimento de 30 centímetros seria suficiente para arrebentar pisos e quebrar paredes de casas, disse Santos. A prefeitura reclama que a Sanepar quer instalar poços em regiões já urbanizadas. A exploração do Karst nessas áreas pode provocar colapsos no solo, como ocorreu em Cajamar, na Região Metropolitana de São Paulo, em 1986. O solo cedeu, formando uma cratera de 13 metros de profundidade e 32 metros de diâmetro.
Outro problema é a interferência no desenvolvimento urbano do município. A Sanepar diz que não pode haver ocupação perto do aquífero para não causar poluição, afirmou Santos. Ela não leva em conta o crescimento do município. A prefeitura sugere à Sanepar que concentre os estudos do Karst na região da bacia do Passaúna, que já é uma área de proteção ambiental.
O gerente de Hidrogeologia da Sanepar, Arlineu Ribas, disse que o município não deveria planejar o desenvolvimento em terrenos geologicamente instáveis, caso contrário sempre haverá problemas. Nas regiões de Karst, podem ocorrer desabamentos só pelo fato de a água passar pelo meio da rocha, independente da exploração, disse Ribas. Segundo ele, a intenção da Sanepar é pesquisar os locais onde há condições viáveis para a retirada de água para garantir o abastecimento.


