Karst continua causando problemas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 01 de junho de 1999
Maigue Gueths Especial para a Folha 
O aparecimento de dois buracos entre dois e três metros de profundidade na região central de Almirante Tamandaré, Região Metropolitana de Curitiba, não assustou a prefeitura daquele município. A administração municipal não acredita que possam se repetir os afundamentos que aconteceram no centro da cidade, há alguns anos, devido à exploração do aquífero Karst pela Sanepar. O diretor de Meio Ambiente da prefeitura, José Carlos Lozoya, chamou a Sanepar para uma vistoria, mas se diz tranquilo. Os problemas passados já foram resolvidos. A Sanepar diminuiu a quantidade de água tirada pelos poços e agora está tudo normal.
Em Colombo, outro município da Região Metropolitana a sofrer afundamentos do solo no passado, os problemas são outros. Os agricultores reclamam que, com a estiagem e a retirada de água do aquífero, a água dos rios próximos às propriedades rurais está secando e eles não têm como irrigar suas plantações. Para o secretário de Agricultura de Colombo, Antônio Ricardo Milgioransa, será preciso fazer uma avaliação técnica sobre a retirada de água pela Sanepar para avaliar esta situação. A Sanepar continua tirando a mesma quantidade de água, e os agricultores reclamam que a água está faltando.
O gerente de Hidrogeologia da Sanepar, Arlineu Ribas, diz que a empresa está avaliando a situação dos poços em Colombo, para verificar se a quantidade de água retirada e o nível de profundidade possam estar afetando a quantidade de água do solo da zona agrícola. Mas, segundo ele, nas regiões karsticas é normal se necessitar de mais água para irrigação em épocas de estiagem.
Segundo Ribas, desde o ano passado, a Sanepar está fazendo uma pesquisa constante, em convênio com a Universidade Federal do Paraná, Sudhersa e o instituto austríaco Joanneum Research, para identificar as condições ideais de operação. Nós estamos avaliando as ocorrências constantemente.
A Sanepar mantém, hoje, nove poços em Colombo, sendo quatro na sede do município e cinco na região agrícola de Fervida, retirando cerca de 215 litros de água por segundo. Com esta água ela abastece todo o município. Em Almirante Tamandaré existem cinco poços, que tiram 125 litros de água por segundo. Estão sendo construídos outros quatro na região de Tranqueira. Hoje cerca de 20% do município recebe água de Curitiba. Com o novo sistema a água do K karst abastecerá todo o município. Estamos levando água morro acima e temos que reverter isto, diz Ribas.


