Karina Yamada Economia no lazer, otimismo nos negócios
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quarta-feira, 09 de abril de 2003
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
De um lado, a pujança econômica do meio rural paranaense, onde os negócios não param de acontecer. De outro, a fragilidade do pequeno comerciante e dos visitantes que buscam na festa uma chance de aumentar seus pequenos lucros ou apenas de diversão. Entre eles, a 43 Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, um espaço de contrastes onde essas partes se aproximam durante os 10 dias do evento.
Enquanto o agronegócio já começa a comemorar os bons resultados apurados na edição deste ano da exposição, os comerciantes que precisam do público amargam dias ruins. O visitante cumpre seu papel de consumidor, mas com cautela. Toda essa contradição exemplifica, claramente, que o brasileiro mais rico continua mantendo seu poder de compra enquanto que aqueles mais pobres têm que usar a criatividade para conseguir consumir.
Pelo lado dos revendedores de máquinas e equipamentos, esses primeiros seis dias foram satisfatórios, tanto em divulgação dos produtos quanto em negócios. O diretor da New Agro, Régis Mazzardo, disse que mesmo com juros altos e menos prazo de financiamento, o produtor está investindo em tecnologia para melhorar sua produtividade. ''Hoje, o agricultor não compra mais camionete importada ou apartamento na praia e está preferindo investir na sua propriedade''.
No segmento de leilões, a expectativa otimista também está se confirmando. ''As cotações este ano estão extremamente valorizadas, justamente por causa da qualidade dos rebanhos'', comemorou um dos diretores da Rural Business, que pretende realizar 12 leilões até o final da exposição. De acordo com a assessoria de imprensa da Expô 2003, nos 17 leilões realizados até o dia 7 foram comercializados 4.246 animais, que juntos somaram R$ 5.687.216,00.
O otimismo, entretanto, começa a baixar quando se aproxima dos pavilhões mais populares. A vendedora Rita Aparecida Melo acreditava que os shows pudessem fazer crescer o movimento no seu estande de roupas de couro. Nem Chitãozinho e Xororó deu jeito. ''Agora, estamos apostando no final de semana.''
Pelo lado do consumidor comum, a maioria que visita a feira, a situação não é das melhores. As pessoas caminham, param, olham e saem sem gastar. ''Os preços não mudaram muito em relação ao ano passado, mas o dinheiro está mais curto a cada ano que passa porque o salário continua o mesmo'', resumiu a dona de casa Terezinha Trentini Gouveia, que levou os sobrinhos Ana Paula e Giovani para se divertirem no parque de diversões.
A professora Elza Nice de Souza usou a criatividade para conseguir realizar os desejos dos filhos João Ricardo e Pedro Eduardo e do sobrinho Ildevan Felipe. ''Vim de ônibus para economizar na gasolina e no estacionamento'', apontou. Visitando pela terceira vez a feira deste ano, Elza já aprendeu que ''é preciso segurar para não gastar além da conta''.


