O karatê, o caminho das mãos vazias, conduz à sabedoria, que o homem jovem admira e aquele que tem entre os dedos a nostalgia conserva, como uma riqueza a multiplicar no tempo.
''Tudo o que aprendemos, com a maior satisfação, está nos proporcionando uma sobrevida digna''. A afirmação do agricultor londrinense Yokio Fukuda, 65 anos, lavra no cotidiano o sentido que a sabedoria dá ao viver, através do karatê.
Ele é um dos 36 alunos que atravessou os 55 anos de idade e que deseja ir além, com qualidade de vida, frequentando as aulas de karatê, oferecidas gratuitamente pela Associação Londrinense de Karatê. Fukuda é um atleta, já que pratica beisebol há 25 anos e natação desde criança.
Há quatro meses, três vezes por semana, o grupo frequenta as aulas, além de participar de oficinas de trabalhos manuais e terapia de grupo, com uma psicóloga.
''Há algum tempo, a associação fazia um trabalho com crianças carentes. Este ano resolvemos incorporar atividades para pessoas acima dos 55 anos de idade. Aqui perto tem um grupo que faz exercícios numa praça. Convidamos o pessoal, estendemos o convite à igreja e outros grupos da terceira idade'', ressalta o professor de karatê Luiz da Silveira.
A origem da arte marcial é remota, se desenvolvendo na Ilha de Okinawa. No século XX, Gichin Funakoshi (1868 - 1957) difundiu o karatê, conhecido como a arte das mãos vazias. Carregando uma doutrina nos braços, o karatê ultrapassa o combate para desenvolver a personalidade dos praticantes, com influências do confucionismo e zen-budismo.
Na terceira idade, a perda da força muscular torna a pessoa vulnerável à queda. Atividades simples do dia-a-dia, como pegar um copo no armário podem acabar em acidente. Os exercícios de karatê estimulam o equilíbrio, a coordenação motora, força muscular, entre outros benefícios.
''Estou constatando praticamente a mesma coisa que o professor Sebastião Gobbi, doutor em Cinesiologia, em Rio Claro (SP), que também trabalha com esse público. Quando, os idosos chegaram relatavam que caíam com frequência e tinham dificuldades para fazer muitas tarefas. Com exercícios para os membros superiores e inferiores, a capacidade física deles melhorou'', avalia Silveira.
O professor garante que qualquer idoso pode praticar os exercícios. Até mesmo hipertensos, diabéticos ou que tenham osteoporose. Durante as primeiras aulas, o grupo era de 15 pessoas. Hoje, o professor pensa em abrir uma nova turma.
''A dedicação deles têm sido surpreendente. Desde que começamos não houve uma desistência'', comemora Silveira. As aulas são frequentadas por alunos que têm até 88 anos de idade.
O aposentado Osvaldo Cescato, 72 anos, participa da atividade desde que começou. ''O karatê traz mais sensibilidade para os músculos da gente. Nos sentimos melhores com os movimentos. A gente que aposentou, se ficar parado, a pessoa vai engordando e perde a forma física'', afirma Cescato, que na juventude gostava de jogar futebol.
Rosa Bucci Liviero, 63 anos, não se desconcentra dos exercícios, afirmando que a terapia de grupo também é importante. ''A gente tem uma vida difícil. Com o karatê e a terapia não existe depressão. Isso que a gente está fazendo aqui, parece que tem mais vontade de viver'', aponta a dona de casa.
Para os que estão se perguntando quando os vovôs e as vovós vão começar a lutar, o professor Rubem Cauduro, que também trabalha com o grupo da terceira idade, responde: ''Entrar em combate? Bem, só quando eles ficarem mais velhos e mais comportados'', brinca o professor, com respeito a tanta sabedoria de cabelo branco.
Serviço Informações sobre as aulas de karatê para a terceira idade pelo fone 3325-4605 ou na sede da Associação Londrinense de Karate, Rua Mar Del Plata, 85.

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