A Associação Londrinense de Karatê realizou ontem uma apresentação especial, com cerca de 30 alunos de idade acima dos 50 anos. A apresentação marca os resultados e conquistas obtidos nos dois anos das aulas especiais gratuitas para a terceira idade.
O trabalho começou tímido, mas, em seis meses, mais de 100 alunos já haviam se matriculado. ''Tínhamos um projeto que atendia crianças. Quando ele acabou, resolvemos ajudar as pessoas mais velhas'', explica Luiz da Silveira, professor do esporte há mais de 30 anos. Além das aulas, os praticantes também recebem apoio psicológico, orientação nutricional e assistem palestras mensais com profissionais de diversas áreas. Ao final de cada mês ainda é realizada uma festa de confraternização.
Alongamento, atividades em dupla e movimentos que requerem memorização, desenvolvem o equilíbrio e a coordenação motora dos participantes, fazendo desse esporte uma terapia para as pessoas com idade mais avançada. Curiosamente, a grande maioria dos frequentadores das turmas da terceira idade é mulher.
Além dos ótimos resultados obtidos em relação à qualidade de vida dos idosos participantes, Silveira anuncia que a associação tem mais um grande motivo para comemorar. ''Acabamos de firmar um convênio com a Fundação de Esportes para atender mais 100 alunos, sendo 50 acima dos 60 anos e outros 50 com idades entre 7 e 14 anos'', adianta. Ou seja, além de poder contribuir com o bem-estar de mais pessoas da terceira idade, a associação vai poder ajudar no resgate da disciplina, respeito e responsabilidade das crianças e adolescentes - algumas das principais vantagens apontadas por Silveira em relação à prática do esporte nessa idade.
Já em relação aos seus alunos mais velhos, o sensei (professor, em japonês) preferiu deixar que eles mesmos falassem sobre as vantagens da prática dessa arte marcial.
Sem preconceitos - Saúde, corpo, mentalidade e amizade. Estes foram os pontos positivos ressaltados pelo alfaiate aposentado José Santa Maria ao se referir ao karatê. Aos 90 anos, José frequenta as aulas regularmente, e faz questão de telefonar quando não pode comparecer. ''É que, às vezes, fico com saudades das enfermeiras do hospital, e vou fazer uma visita'', brinca, ao justificar a sua última internação hospitalar.
Bem-humorado, o aposentado comenta que já está ''no finzinho'', mas que, durante as aulas, sente como se tivesse no máximo 40 anos. ''Aconselho o karatê para todo mundo, criança, jovem, adulto ou idoso. É ótimo!''.
Além de José, o aluno mais idoso do grupo, outra pessoa que chama a atenção é a irmã Maria Espada, 68 anos. A freira faz os exercícios vestida com seu hábito costumeiro, apesar de cogitar da possibilidade de vestir um quimono um dia. ''Tenho vergonha, precisava desinibir. Mas por enquanto vou continuar de hábito mesmo'', explica-se. Ela conta que a vestimenta às vezes restringe alguns movimentos, mas nada que comprometa a atividade.
Os afazeres no seminário, porém, têm dificultado sua presença nas aulas. ''Fiquei alguns meses sem vir porque tenho muito trabalho lá. Mas adoro fazer os alongamentos. Aprendi sobre postura, como pegar objetos pesados e muitas outras coisas'', relaciona. Irmã Maria conta que já comentaram, em tom de brincadeira, que era para ter cuidado porque ela era a irmã que luta karatê. ''Karatê é uma arte, na qual a gente aprende a se defender, e não a sair batendo. Não é por luxo, nem pra me exibir. Faço isso porque faz bem para
a saúde''.

Serviço: Quem quiser participar dos programas gratuitos de karatê para crianças ou para a terceira idade pode ligar para a Associação Londrinense de Karatê, pelo telefone (43) 3325-4605.

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