Karate atrai alunos da escola-oficina
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de maio de 2000
Telma Elorza De Londrina 
Uma iniciativa inédita está dando a oportunidade para que crianças carentes de Londrina tenham contato com um esporte que eles só conhecem pela televisão. O professor de Educação Física e karateca Mário Molari, 32 anos, ensina voluntariamente, há dois meses, a arte marcial a 30 crianças e adolescentes atendidos pela Associação da Criança e Adolescentes de Londrina (Acalon), a escola-oficina localizada no Conjunto Habitacional João Paz (zona norte da cidade).
Segundo Molari, que é docente da disciplina Esporte de Ataque e Defesa do curso de educação física da Universidade Norte do Paraná (Unopar) e pratica karate há 20 anos, a técnica que está ensinando às crianças da escola-oficina é diferente da tradicional. Eu ensino o karate-escolar, um método que venho desenvolvendo há cerca de três anos e onde adaptei o karate para a disciplina, valorizando a harmonia entre a mente e o corpo, explicou.
O professor disse que, na adaptação, procurou trabalhar a inteligência emocional da criança, valorizando mais os movimentos, gestos e disciplina da arte do que a própria luta. Tanto que seus alunos nem utilizam o quimono. Além de ser caro para esta realidade, o quimono é necessário só em lutas. Para estes movimentos que ensino, ele é dispensável.
Para o professor, ensinar karate é uma forma também de lidar com a agressividade das crianças. Ao contrário do que as pessoas possam imaginar, o karate não estimula a agressividade. O que acontece é que o aluno é o espelho do professor. Se o professor for agressivo, o aluno também será. Se, pelo contrário, procurar passar coisas boas, o aluno vai absorver isso, garantiu.
Molari trabalha, na escola, com crianças de 7 a 18 anos, a maioria em situação de risco e, segundo ele, com baixa auto-estima. Através do kiai (grito que acompanha determinados movimentos), ela põe para fora toda a agressividade que tem. E isto libera uma energia positiva, aumentando a própria auto-estima. Neste método, eu procurei incluir mais kiais do que há no karate tradicional, disse. E, segundo ele, tem dado bons resultado. Tenho crianças aqui que eram totalmente inibidas e hoje já estão mais desenvoltas, afirmou.
Pela reação dos alunos, a aprovação do curso é total. Eu nunca tinha visto assim de perto, só pela TV. E estou gostando. E já sei que é um esporte para defesa, contou Ivan Antunes de Souza, 13 anos, que há três anos frequenta a escola-oficina. Sua colega de turma, Karina Cardoso de Sá, 16 anos, também aprovou: Eu nunca imaginei que um dia iria praticar karate. É divertido, afirmou.
O método também está sendo aplicado em uma escola particular da cidade, onde o professor ministra aulas.


