Uma iniciativa inédita está dando a oportunidade para que crianças carentes de Londrina tenham contato com um esporte que eles só conhecem pela televisão. O professor de Educação Física e karateca Mário Molari, 32 anos, ensina voluntariamente, há dois meses, a arte marcial a 30 crianças e adolescentes atendidos pela Associação da Criança e Adolescentes de Londrina (Acalon), a escola-oficina localizada no Conjunto Habitacional João Paz (zona norte da cidade).
Segundo Molari, que é docente da disciplina Esporte de Ataque e Defesa do curso de educação física da Universidade Norte do Paraná (Unopar) e pratica karate há 20 anos, a técnica que está ensinando às crianças da escola-oficina é diferente da tradicional. ‘‘Eu ensino o karate-escolar, um método que venho desenvolvendo há cerca de três anos e onde adaptei o karate para a disciplina, valorizando a harmonia entre a mente e o corpo’’, explicou.
O professor disse que, na adaptação, procurou trabalhar a inteligência emocional da criança, valorizando mais os movimentos, gestos e disciplina da arte do que a própria luta. Tanto que seus alunos nem utilizam o quimono. ‘‘Além de ser caro para esta realidade, o quimono é necessário só em lutas. Para estes movimentos que ensino, ele é dispensável.
Para o professor, ensinar karate é uma forma também de lidar com a agressividade das crianças. ‘‘Ao contrário do que as pessoas possam imaginar, o karate não estimula a agressividade. O que acontece é que o aluno é o espelho do professor. Se o professor for agressivo, o aluno também será. Se, pelo contrário, procurar passar coisas boas, o aluno vai absorver isso’’, garantiu.
Molari trabalha, na escola, com crianças de 7 a 18 anos, a maioria em situação de risco e, segundo ele, com baixa auto-estima. ‘‘Através do ‘kiai’ (grito que acompanha determinados movimentos), ela põe para fora toda a agressividade que tem. E isto libera uma energia positiva, aumentando a própria auto-estima. Neste método, eu procurei incluir mais kiais do que há no karate tradicional’’, disse. E, segundo ele, tem dado bons resultado. ‘‘Tenho crianças aqui que eram totalmente inibidas e hoje já estão mais desenvoltas’’, afirmou.
Pela reação dos alunos, a aprovação do curso é total. ‘‘Eu nunca tinha visto assim de perto, só pela TV. E estou gostando. E já sei que é um esporte para defesa’’, contou Ivan Antunes de Souza, 13 anos, que há três anos frequenta a escola-oficina. Sua colega de turma, Karina Cardoso de Sá, 16 anos, também aprovou: ‘‘Eu nunca imaginei que um dia iria praticar karate. É divertido’’, afirmou.
O método também está sendo aplicado em uma escola particular da cidade, onde o professor ministra aulas.

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