Kakunen deixou cargo 'para não atrapalhar promotoria'
Lúcio Horta
De Londrina
O ex-presidente da Companhia de Urbanização de Londrina (Comurb), Kakunen Kyosen, que deixou o cargo ontem, disse que decidiu sair da empresa para não atrapalhar ou causar qualquer desconforto às investigações promovidas pelo Ministério Público. Os promotores investigam possíveis irregularidades em mais de 80 contratos da Comurb e Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) que, somados, podem chegar a mais de R$ 30 milhões. Acho que, afastado, facilita o trabalho deles, afirmou.
A saída de Kakunen foi confirmada anteontem pelo prefeito Antonio Belinati (PFL), que ainda esta semana deve anunciar o substituto. Mesmo se negando a dar opiniões sobre a investigação do Ministério Público, o ex-presidente da Comurb confirmou que a decisão de contratar ou não as empresas de consultoria partia da Secretaria de Governo.
Kakunen também negou que tenha qualquer responsabilidade nos contratos investigados pelos promotores ou indicado qualquer empresa. Comentou apenas que a assinatura dele nos pedidos de abertura de licitação ou mesmo pedido de liberação de verbas para pagamentos, encaminhados à Secretaria da Fazenda, eram apenas formalidades que ele cumpria.
O ex-presidente informou que não participou de qualquer discussão sobre a necessidade de se contratar consultorias. Acrescentou, porém, que alguns pedidos da Secretaria de Governo vinham respaldados por outras diretorias da Comurb.
Kakunen afirmou também que não tinha controle sobre o resultado dos trabalhos contratados e encaminhados pelas empresas para a Comurb. Questionado se não estranhou o grande número de licitações e os altos valores pagos pela empresa, ele respondeu: A Comurb cresceu muito nesses dois anos.
O ex-presidente não quis comentar nenhuma acusação feita pelo diretor-administrativo-financeiro Eduardo Alonso durante depoimento no Ministério Público. Alonso afirmou que o ex-presidente tinha conhecimento de tudo o que se passava na empresa. Nada a declarar, respondeu Kakunen.
Sobre a permanência dele na auditoria da prefeitura, observou que a decisão cabe ao prefeito Antonio Belinati (PFL). É um cargo de confiança e depende do prefeito. Belinati confirmou ontem, por meio da assessoria de imprensa, que o Kakunen permanece na auditoria.





