Juventude reprova partidos políticos e instituições oficiais
Juventude reprova
partidos políticos e
instituições oficiais
O descaso com a política é uma característica dos jovens de Curitiba. Na pesquisa da socióloga Ana Luisa Fayet Sallas, os jovens reprovaram as instituições oficiais e partidos políticos. Ao pedir para que dessem notas, em uma escala de dez, para a Justiça, polícia, Congresso, governos e partidos, os entrevistados os classificaram abaixo da média cinco. As melhores notas foram dadas para a família (9,02), escola e universidade (7,74), igreja e religião (7,56) e mídia (5,95).
Segundo a amostragem, o adolescente prefere agir e resolver seus problemas sozinho. A pesquisadora apurou que os jovens vêem com descrédito essas instituições, no entanto, apostam em mudanças, por meio de organizações não-governamentais e grupos religiosos, muitas delas ligadas a temas com meio ambiente.
Para o secretário geral da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Geraldo Aparecido da Silva, essa preferência pelo individual dificulta a renovação de quadros nos movimentos sindicais. O jovem tem uma dificuldade em acreditar que esse setores podem mudar suas vidas, preferindo pensar e agir de maneira individual, dando às costas para o coletivo, avalia.
O sindicalista considera que a postura do jovem é fruto de uma política de mercado. Ele segue a lógica do neoliberalismo, que estimula as pessoas a cuidarem apenas de sua vida, sem brigar por mudanças, afirma. Por causa disso, o sindicato tem dificuldade em repassar aos jovens que a luta coletiva pode trazer benefícios individuais.
Geraldo da Silva considera que o engajamento em organizações não-governamentais é positivo, mas refuta o crescimento religioso. Os carismáticos defendem também a individualidade, diz.
Ele entende que é preciso realizar um trabalho de base, mostrando aos jovens que é possível recuperar as instituições. O jovem precisa obter novas fontes de informações para criar sua visão de mundo. (I.R)





