Juventude marcada para a morte ou seduzida pelo crime
O futuro dos jovens que vivem nas comunidades atingidas pela guerra entre gangues é marcado pela incerteza, já que muitos deles estão jurados de morte. As ameaças ocorrem de parte a parte e o confronto não está mais restrito às áreas em conflito. Até mesmo projetos sociais têm que driblar essas dificuldades para conseguir atender a todos.
Um dos últimos casos de tiroteio com morte vitimou o garoto Dener Washington Cardoso Matias, 11 anos, há menos de uma semana. Dois homens numa moto foram até o Jardim Leste-Oeste atrás de um desafeto que seria ligado à Pantanal. O rapaz foi atingido nas nádegas e conseguiu sobreviver. Já Dener, que brincava na rua, levou um tiro no peito e não resistiu.
''Temos vários meninos jruados de morte. Se formos falar de ameaças então, podemos incluir todo mundo que mora em um bairro ou no outro'', apontou Jaqueline Michali, do Projeto Murialdo. Ela revelou que meninos da rua Pantanal não podem frequentar a sede do projeto, onde são atendidos os adolescentes do Nossa Senhora da Paz. Na educação regular, a divisão se repete. ''As crianças da Pantanal só podem estudar um colégio da região oeste'', comentou Jaqueline. Existiria até mesmo um conjunto de cinco ruas no Jardim Santiago pelas quais os moradores da Pantanal estariam autorizados a transitar. Se ultrapassarem a ''área liberada'' correm o risco de serem baleados, como já aconteceu.
As diferenças entre as gangues acontecem até no Ciaadi. ''De uma maneira ou de outra, eles tentam imprimir essa rivalidade quando chegam. Antes, tínhamos que colocá-los em alas diferentes. Hoje já conseguimos fazer um trabalho de relacionamento e dificultamos essas rivalidades internamente'', assegurou o diretor da unidade, Nilson Domingos. Ele reforçou que muitos jovens estão jurados de morte, conhecem o risco mas preferem continuar onde estão. ''Eles sabem que estão para morrer mas não temem a morte'', disse o diretor. (L.A.)





