O médico e psicanalista Marcelo de Castro, que defendeu tese de mestrado na Universidade de Campinas (Unicamp) sobre adolescência e drogas, acredita que uma parcela dos jovens de classe média e alta está sem ideais. ''Sempre é a próxima balada ou festa. É uma vida vazia, sem projetos ou perspectivas''. E esse tipo de desprendimento com o futuro tem, segundo ele, uma ligação direta com a entrada no mundo do crime. ''Esses garotos estão perdendo a vida e entrando em projetos de morte'', lamentou.
A origem desse problema, de acordo com o psicanalista, está dentro de casa. Jovens de famílias imunes aos efeitos da crise financeira, contemplados com toda variedade de bens materiais, costumam viver sem limites e regras. ''Essa é uma responsabilidade do pai. Se o pai não impõe limites ao filho, ele vai procurar na lei, na polícia e no juiz, o pai que ele não encontrou dentro de casa'', analisou. ''Por isso é crucial a postura familiar para evitar que jovens e adolescentes sejam atraídos pelo mundo do crime''.
O psicoterapeuta acredita que o envolvimento de garotos de classe média com o submundo tenha alguns traços de comportamento psicopáticos (por definição, extrair prazer do sofrimento de outra pessoa). ''Não é certo afirmar que são psicopatas, mas independente da patologia, eles acabam agindo fora da normalidade'', ponderou.
De acordo com o médico, esse fenômeno derruba a idéia de que a criminalidade é uma prerrogativa apenas dos mais pobres. ''Isso rompe com aquele preconceito, com aquele estereótipo de que gente de classe baixa, de cor e da periferia é quem pratica esse tipo de crime. E isso não é verdade. Basta ver as boates de luxo da cidade, estão cheias de seguranças. E não é para proteger do pobre não, e sim da própria classe média'', apontou. (G.G)

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