Curitiba - Em uma década, Curitiba triplicou o número de homicídios de crianças e adolescentes. É o que diz o novo Mapa da Violência, publicado recentemente pelo Instituto Sangari, que analisou a evolução dos assassinatos nas cidades brasileiras. Curitiba está em 3º no ranking das capitais mais violentas no quesito de crimes cometidos contra a população infanto-juvenil. Há cidades onde se presume ter ocorrido uma espécie de surto, tamanho o crescimento registrado. Uma delas é Sarandi (Região Metropolitana de Maringá), que encabeça a lista dos municípios paranaenses, com crescimento de 117% nos homicídios em apenas quatro anos. Arapongas (Norte) e Fazenda Rio Grande (Região Metropolitana de Curitiba) seguem atrás, com índices bastante próximos.
O retrato comprometedor da capital recebeu notória colaboração quando contabilizados os crimes da Região Metropolitana, afetada pela falta de estrutura de atendimento ao adolescente e atuação insuficiente da segurança pública. O número de assassinatos na região registrou um acréscimo indigesto de 270% em 10 anos. Fazenda Rio Grande ilustra bem esse cenário.
O secretário de Defesa Social de Fazenda Rio Grande, Amilton Klein, queixa-se da falta de policiamento e da redução do efetivo da Polícia Militar (PM). ''A cidade não é industrializada e acaba sendo dormitório da metrópole. As pessoas vão trabalhar e gastar na capital. O município tem pouco da onde tirar a verba'', diz Klein. A cidade despontou para o crime com o aumento de 113% nos homicídios infanto-juvenis. O Instituto Sangari também revela que Foz do Iguaçu (Oeste) é líder nacional na taxa de homicídio juvenil, de 15 a 24 anos. São 227 vítimas para 100 mil habitantes.
A escalada da violência no Paraná transcendeu a criminalidade registrada em Estados como São Paulo e Rio de Janeiro. A taxa atual de homicídio na população de zero a 19 anos está superior em 43% desde 2003. O fenômeno ascende o Paraná para o 6º Estado da nação cuja população infanto-juvenil se encontra mais vulnerável aos crimes contra a vida. Apesar da pesquisa destacar apenas quatro ou cinco cidades, o ataque contra crianças e adolescentes parece ser geral em todo o Estado. O Conselho Tutelar da Região Sul de Londrina registrou um aumento de 38% de atendimento nos quatro primeiros meses de 2010, em relação ao mesmo período do ano passado.
O secretário de Estado da Segurança Pública, coronel Aramis Linhares Serpa, informou à imprensa que 95% dos homicídios registrados no Paraná têm relação com as drogas e 60% das mortes ocorrem com adolescentes ou jovens de até 25 anos que estão fora das escolas.

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