Justificando o nome do bairro
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 06 de junho de 2007
Marco Feltrin<br>Reportagem Local 
Hipismo, Salto Triplo, Futebol, Basquetebol, Atletismo e Iatismo. O que mais parece uma lista de modalidades esportivas a serem disputadas nos Jogos Pan-Americanos são na verdade nomes de ruas no Jardim Olímpico, bairro da Zona Oeste de Londrina. A reportagem da FOLHA esteve no local acompanhando a improvisação dos moradores para praticar esportes e justificar o nome do bairro.
Na Rua Basquetebol, quem manda é o vôlei. A estudante Karina Cristina Faria corre até a casa do presidente da associação de moradores para pegar a rede e a bola, além de convocar os vizinhos a participarem do jogo. Os ''atletas'' sobem no poste para amarrar a rede, que também fica presa a pedras no chão. Para definir os limites da quadra, são feitos riscos com pedaços de tijolo. A disputa tem até placar, riscado na calçada.
Karina conta que as partidas são frequentemente interrompidas por carros e motos que passam no local. ''Tem que ficar erguendo a rede toda hora'', reclama a estudante. Segundo ela, a atividade nas tardes de domingo começou há cerca de quatro meses, e está ganhando cada vez mais adeptos no bairro. ''Como não tinha nada para fazer aqui, decidimos brincar de vôlei. Começou com pouca gente, mas o pessoal passava, via a gente jogando, e mostrava interesse em participar também. Tem vezes que dá para formar até quatro equipes'', vibra a jovem, que treinou vôlei durante três anos com o time do colégio em que estudava.
Os atletas de fim de semana do Jardim Olímpico aproveitaram para reclamar a falta de um local adequado para prática de esportes no bairro. O pintor Wesley de Jesus Faria, de 23 anos, garante que a presença de uma quadra poliesportiva ou um campo de futebol suíço faria a diferença no cotidiano dos moradores. ''Se tivesse um espaço desses, com certeza todo o pessoal do bairro estaria reunido lá se divertindo''.
Luzia dos Reis, 37 anos, que não perde uma disputa de vôlei na rua e se orgulha de ser a mais velha em quadra, usa o bairro vizinho como comparação. ''Se o Maracanã, que é um bairro novo, já tem quadra, porque a gente não pode ter?'', questiona.
Nereu Pereira, presidente da associação de moradores do jardim Olímpico, admite que o bairro não tem áreas apropriadas para a prática esportiva. Ele informou que um projeto foi enviado à secretaria do Meio Ambiente para liberação de uma área próxima ao ribeirão Esperança, que limita o bairro. ''A idéia é criar um espaço de lazer com pista de caminhada, rampa de skate e campo de futebol'', prevê.
De acordo com o secretário de Meio Ambiente, Gérson da Silva, o projeto está sendo analisado e depende de especificações técnicas para sair do papel. ''Existe a possibilidade de liberar o local, mas por ser uma área de preservação permanente, não pode avançar um limite de 30 metros da margem do ribeirão'', afirma o secretário.
O campo é o sonho do motorista João Valmir de Lima, responsável pelo time de futebol do bairro há sete anos. ''A gente tira muita molecada da rua para jogar futebol. Infelizmente, a falta de um campo aqui no bairro faz com que a gente não possa ajudar tantos jovens como deveria'', lamenta.
Ao lado dos troféus conquistados pela equipe, João Valmir conta com orgulho dos frutos colhidos com o trabalho no bairro. O filho mais ilustre do Jardim Olímpico é o meio-campista Henrique, que ajudou a levar o Figueirense à final da Copa do Brasil, marcando inclusive um gol na decisão. ''É uma promessa nossa, jogador criado aqui. É uma satisfação muito grande saber que ele está se destacando. Espero que outros garotos do bairro possam trilhar esse caminho''.


