O juiz da Vara de Execuções Penais (VEP) Roberto Ferreira do Valle determinou aos oficiais de Justiça que façam diligências em todos os distritos policiais de Londrina. O Objetivo é saber oficialmente a situação em que se encontram os DPs que possuem carceragem. O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Gilson Garrett Alguauer, foi intimado ontem à tarde da determinação e os oficiais iniciam o trabalho na semana que vem.
Roberto do Valle pediu aos oficiais que verifiquem capacidade e superlotação, umidade presente nos cubículos, situação de colchões e beliches, necessidade de medicamentos e a situação de presos doentes. Os oficiais iniciam as investigações na semana que vem. A precariedade dos distritos policiais levou o Centro de Direitos Humanos de Londrina (CDH) e a Pastoral Carcerária a denunciarem a situação à Organização das Nações Unidas (ONU).
O delegado Gilson Garrett acredita que a intenção do juiz é tentar uma solução para a superlotação carcerária e não descartou a possibilidade de Roberto do Valle pedir a interdição dessas unidades. ‘‘Acredito que poderá haver esse pedido mas não sei se essa é a posição dele (juiz)’’, explicou. ‘‘O que não posso é deixar o marginal na rua, fazemos isso em prol da sociedade’’, justificou.
Algauer reconhece que os distritos policiais são precários e insalubres, mas afirma que o problema não é enfrentado apenas em Londrina. Para o delegado-chefe, somente o término da Cadeia Pública irá amenizar essa situação. ‘‘Sem a Cadeia Pública não vejo solução para isso’’, resumiu. O juiz Roberto do Valle determinou a investigação nos distritos em 31 de agosto e no dia primeiro entrou em férias, devendo retornar somente em outubro.
Levantamento feito ontem à tarde pela Folha revelou uma situação crítica nos distritos policiais. No 5º DP a capacidade é para 24 detentos e ontem havia 68; no 4º DP havia 70 onde deveriam estar 24 pessoas; O 2º DP abrigava 76 presos onde cabem 24 e na ala feminina, havia uma situação menos pior: 22 presas estavam no local projetado para abrigar 28 detentas.
A situação mais crítica é enfrentada pelo 3º distrito, onde há 102 presos onde deveriam estar no máximo 32. ‘‘Cheguei ao número máximo. Quando assumi o distrito em dois de junho havia 86. A preocupação é constante nessa situação’’, desabafou o delegado Valdir Abraão da silva.

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