Justiça tenta solução para conflitos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de novembro de 1997
Alexandre Sanches São Jerônimo da Serra 
Josoé de CarvalhoUltimatoMário Ghisi: Está na hora de dar um basta nas invasões em terras indígenasO conflito agrário na reserva indígena Barão de Antonina, em São Jerônimo da Serra (95 km ao sul de Londrina), foi pauta de reunião ontem, no fórum local, convocada pelo procurador regional dos Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal, em Curitiba, Mário Ghisi. A Gleba do Cedro, área pertencente à reserva, foi ocupada seis vezes desde janeiro do ano passado e terminou na semana passada com a morte do ex-posseiro Adenilson da Silva Cruz, conhecido como Nego Saruê, assassinado pelo cacique da reserva Reginaldo Sales Batarse.
Nos dois últimos finais de semana, a Folha publicou reportagens especiais abordando o conflito da Barão de Antonina e em outras reservas do Estado. Participaram da reunião de ontem cerca de 40 pessoas, entre índios, representantes do Ministério Público Estadual, polícias Federal, Civil e Militar, Funai, governos do Estado e prefeitura.
Mário Ghisi defende o direito à terra dos índios e busca alternativas para um fim pacífico do conflito. Está na hora de dar um basta nas invasões em terras indígenas, comentou. Para ele, as invasões não são mais problemas judiciais, mas de vandalismo. Nos reunimos em Curitiba, no ano passado, com todas as partes envolvidas e fechamos um acordo para a saída dos posseiros e nova verificação das demarcações. Eles voltaram a ocupar a reserva uma semana depois, comentou.
O delegado-chefe da Polícia Federal em Londrina, José Roberto Morel, tem a mesma opinião. Ele relatou as informações obtidas pelo órgão sobre o conflito e afirmou que o problema é político. Eles (posseiros) foram orientados a entrar na área. Se fosse questão de terra, no ano passado teriam recebido os lotes do Incra. Mas parece que os interesses vão além, comentou, sem citar nomes.
A prefeita Maria Luiza Coppla (PSC) e o presidente da Câmara de Vereadores, João Luiz Perussi, saíram em defesa do vice-prefeito, Manoel Rocha Rodrigues, que no final de 96 foi preso acusado de ajudar os posseiros nas invasões à reserva. Afirmando não ter qualquer ligação com o grupo de posseiros, Perussi sugeriu que fosse realizada nova demarcação da reserva. Neste momento a reunião ficou tensa. Técnicos da Funai e da Assessoria Estadual para Assuntos Indígenas rebateram, argumentando que as divisas contestadas pelos posseiros são molhadas (feitas por rios) e não há motivos para novo levantamento.
Ficou acertada uma nova reunião da comissão com os posseiros para o dia 10 de dezembro. Neste encontro serão apresentados, de maneira didática, documentos que comprovam a legalidade das terras da União e todas as divisas. Também será estudada a possibilidade, através do Incra, de se assentar famílias de posseiros em outras áreas.


