Maringá - O juiz da 1 Vara Criminal do Fórum de Maringá, Joaquim Alves concedeu, ontem, liberdade provisória para o jornalista Roberto Silva e aos policiais de Londrina, Robinson Rogério Avancini e Milton Carlos Cinqui, detidos desde a semana passada. Os três vão responder processo em liberdade. Os dois policiais estão sendo acusados pelo crime de concussão (extorsão praticada por funcionário público) e foram presos em flagrante. O jornalista responderá pelo crime de extorsão. Na sexta-feira, o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Londrina-Seccional de Maringá, Marcos Aurélio Zanatta, emitiu uma nota de repúdio pela forma como foi feita a prisão do jornalista e o tratamento que ele vinha recebendo.
''A denúncia partindo de um empresário envolvido no comércio de peças de veículos furtados, e que responde a inquéritos por receptação, deixa margem para dúvidas quanto a veracidade da acusação de extorsão'', afirmou o sindicalista na nota. Ainda conforme o sindicato, ''a participação de promotores e policiais declaradamente desafetos do jornalista amplia ainda mais a dúvida sobre a existência de extorsão, e reforça a tese defendida pelo acusado, de armação''.
De acordo com o advogado do jornalista, Israel Batista de Moura, o juiz levou em consideração os bons antecedentes de Silva para conceder a liberdade provisória. Silva afirma que jamais pediu dinheiro para o empresário Evaristo Nunes de Andrade e que não fez nenhuma ligação exigindo propina. O jornalista também não aparece nas imagens gravadas no flagrante contra os policiais. O Ministério Público não divulgou outras provas, mas mesmo assim o jornalista estava sendo mantido preso.
Os policiais e o jornalista foram acusados por Andrade de extorsão. O empresário procurou o Ministério Público de Maringá em setembro e afirmou que estava sendo ameaçado pelos dois policiais. A dupla, conforme o empresário, estaria exigindo R$ 20 mil para evitar o envolvimento dele em investigações sobre desmanche de veículos. Cinqui e Avancini foram presos, no último dia 2, no momento em que recebiam R$ 2,5 mil em notas de R$ 50,00. O flagrante foi gravado pelo Ministério Público e as notas fotocopiadas. Segundo Edmar José Chagas, advogado dos policiais, o fato foi 'armação' de Andrade que ligou para Cinqui e Avancini oferecendo dinheiro.
Andrade também teria denunciado outros dois policiais -um de Londrina e outro de Maringá - que não foram presos, mas que o Ministério Público está investigando. Andrade foi preso mês passado porque mantinha dois barracões de peças em Paiçandu. Ele é apontado por pessoas de Londrina, envolvidas com roubo de carros, como o responsável por desmanches para venda de peças.
A Folha entrou em contato com o delegado-adjunto da 10 Subdivisão Policial de Londrina, Jurandir André, para saber se os policiais poderiam voltar ao trabalho ou não, mas ele informou que esta decisão é do delegado-chefe Pedro Colaço. A reportagem tentou falar com Colaço, mas ele não estava na delegacia e não foi localizado.

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