A Procuradoria da República em Cascavel sequestrou os bens do empresário Nilso Paulo Bento, de Dionísio Cerqueira (SC, na fronteira com a Argentina), denunciado por envolvimento no crime conhecido como lavagem de dinheiro - a transferência de dinheiro de origem duvidosa entre contas bancárias abertas com a finalidade de dissimular sua origem. O sequestro de bens foi decidido pela Justiça Federal, atendendo requerimento da Procuradoria. Bento é sócio da empresa Labasky Turismo, que operava com dólares.
O procurador Celso Antônio Três já formalizou denúncia contra 13 pessoas, entre inúmeras outras que estão sendo investigadas desde o início de 1997. Em setembro daquele ano, haviam sido colocados em indisponibilidade os bens imóveis de Mauro Baratter e seu irmão, Antônio Carlos Baratter, donos da casa de câmbio ‘‘Cash’’, de Cascavel, que, segundo o procurador, teria intermediado transferências irregulares de dinheiro, passando por contas abertas em nome de ‘‘laranjas’’ (pessoas que só cediam o nome para a abertura). O doleiro catarinense operava com a ‘‘Cash’’.
Foi o primeiro desdobramento regional da CPI dos Precatórios, realizada pelo Congresso, e que levantou irregularidades em operações financeiras. Apenas entre fevereiro e junho daquele ano cerca de R$ 30 milhões teriam sido movimentados em duas contas abertas na agência local do Banco Mercantil do Brasil, em nome de dois ‘‘laranjas’’ - uma funcionária da ‘‘Cash’’ e um vendedor ambulante. O dinheiro era transferido para o Paraguai, através das contas ‘‘CC5’’, especiais para a finalidade.
A denúncia foi formalizada pelo procurador Celso Antonio Três, segundo o qual há outros envolvimentos na ‘‘lavagem de dinheiro’’ porque as contas dos ‘‘laranjas’’ não poderiam ter passado despercebidas pela gerência dos bancos e, por trás delas, há os ‘‘verdadeiros depositantes’’. As investigações devem se voltar também à procedência dos recursos, evasão de divisas, contabilidade paralela, contas irregulares no Exterior e sonegação fiscal.

mockup