Ibiporã Setenta e um dias após serem presos, acusados de concussão (extorsão praticada por funcionários públicos), o delegado José Antônio Zuba de Oliva, 41 anos, e os escrivães Otacílio Sales Grube, 43, e Sebastião Aparecido de Almeida, 54, foram soltos no início da tarde de ontem por ordem da Justiça. O juiz da Vara Criminal de Ibiporã (14 km a leste de Londrina), Sérgio Neme Ruiz, acatou pedido de relaxamento de prisão interposto pelo advogado Antônio Carlos de Andrade Vianna. O advogado argumentou não haver mais motivos para o cárcere já que ontem, após o depoimento de uma testemunha de defesa, foi encerrada a fase de instrução do processo. O Ministério Público (MP) se manifestou contrário à soltura dos presos.
Zuba que era delegado de Ibiporã , os dois escrivães e os policiais rodoviários Vilson Aparecido Guimarães, Eric Tadeu Alves e Neuradir Crevelano Colineti foram acusados de concussão pela universitária Sandra Cristina Rosa. Ela e o marido, José Ricardo Almeida, haviam sido presos em flagrante sob suspeita de receberem tratores roubados. Os policiais teriam exigido o veículo do casal um Passat importado avaliado em mais de R$ 15 mil para liberá-los. A negociação teria sido intermediada pelo advogado do casal, Giovane Macedo, que é co-réu no processo. A prisão dos policiais foi feita em 22 de dezembro do ano passado pela Promotoria de Investigações Criminais (PIC).
Zuba esteve no Fórum, ontem pela manhã, escoltado pelo delegado-operacional da 10 Subdivisão Policial, Sérgio Luiz Barroso, e mais três investigadores. Ele chegou chorando e, meia hora depois, foi levado para uma sala da delegacia, onde aguardou o fim dos depoimentos e o parecer do juiz. Embora tenham sido arroladas mais de 10 testemunhas de defesa, apenas uma foi ouvida pelo juiz. O marido da suposta vítima, que havia sido chamado pela defesa, foi dispensado.
Por sofrer de hipertensão e depressão, Zuba passou mais tempo internado em uma clínica psiquiátrica de Londrina do que preso no 2º Distrito Policial. Um laudo feito por psiquiatras indicados pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) apontou que o delegado poderia ser tratado na prisão. Assim que foi conhecida a decisão do juiz, Zuba optou por retornar à clínica, embora em liberdade.
O promotor criminal de Ibiporã, Renato de Castro Lima, se manifestou contrário à soltura dos acusados, citando parecer do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ele argumentou ao juiz que, por se tratar de policiais, eles deveriam continuar presos até que o caso seja julgado. Apenas o delegado afastado e os dois escrivães respondiam ao processo presos. Os três policiais rodoviários respondem em liberdade às acusações que tramitam na Justiça Militar.
Concluída a fase de oitiva de testemunhas, a defesa pediu que seja feita a degravação das fitas de áudio e vídeo feitas pela PIC. A análise do material caberá ao Instituto de Criminalística de Curitiba.

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