Da Sucursal
O Ministério Público do Estado do Paraná pode entrar com uma ação civil pública contra a Rede Ferroviária Federal (RFFSA) pedindo a recuperação da Casa Ipiranga, residência histórica construída no final do século passado na ferrovia Paranaguá-Curitiba.
A residência, localizada a quatro quilômetros da estação Véu da Noiva, pertence ao patrimônio da Rede mas foi abandonada no segundo semestre do ano passado. O funcionário que cuidava da segurança do local foi transferido e, depois disso, a casa começou a ser depredada por pessoas que fazem o Caminho do Itupava (que sai de Quatro Barras e passa pelo imóvel).
‘‘No final do ano passado, quando soubemos do problema, enviamos um ofício à Rede pedindo a proteção do bem’’, informa o procurador Saint Claire Honorato dos Santos, do Centro de Apoio Operacional das Promotorias do Meio Ambiente. Segundo ele, o próximo passo é a instauração de uma ação civil pública.
O chefe do Escritório Regional da RFFSA, Paulo Sidnei Carreiro Ferraz, admite que a responsabilidade pela conservação do imóvel é da Rede, mas diz que não havia como manter um policiamento constante no local. ‘‘Com o anúncio da privatização e a redução do quadro de funcionários da Rede, ficou difícil controlar a segurança do patrimônio’’, comenta ele.
A Casa Ipiranga não entrou no processo de privatização e ainda está sob responsabilidade da Rede. A idéia original era transformar a casa em um centro cultural, com informações históricas e sob responsabilidade da Secretaria Estadual da Cultura. Com a depredação do local, o projeto foi suspenso. Para a restauração, seriam necessários R$ 300 mil.
HistóriaA Casa Ipiranga serviu como ponto de apoio durante a construção da ferrovia Paranaguá-Curitiba e foi utilizada na época pelo engenheiro João Teixeira de Soares. O presidente da Província do Paraná, Carlos de Carvalho, também pernoitou na residência em uma viagem de inspeção pela ferrovia. O imóvel também é cercado por lendas, como a de um fantasma que habita o porão arrastando correntes.

mockup