Justiça proíbe retirada de árvores em Maringá
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de maio de 2003
Lucinéia Parra<br> Equipe da Folha 
Maringá Uma liminar concedida pelo juiz da 1 Vara Cível de Maringá, Mário Takeguma, impediu o início da retirada de cerca de 100 árvores da Avenida Tamandaré, que estava previsto para a última segunda-feira. O pedido de liminar foi feito pela Fundação Verde (Funverde) e pela Brasil Fauna e Flora Sul ONG Ambiental, que entraram com uma ação civil pública contra o município. As entidades alegam que as árvores são um bem da comunidade e têm mais importância do que a revitalização da Avenida Tamandaré. A retirada das árvores está prevista no projeto de retomada das obras do Novo Centro de Maringá.
De acordo com o sub-procurador jurídico da prefeitura, Walter Antonio Costa de Toledo Valle, o juiz concedeu a liminar até que o município apresente uma explicação. Ele disse que as justificativas serão encaminhadas hoje para o Fórum. Conforme Valle, o projeto de revitalização da Tamandaré prevê o replantio das árvores que apresentarem condições fito-sanitária saudáveis e o plantio de 400 novas mudas. Ele afirmou ainda que o município demorou quase dois anos discutindo com a comunidade o projeto de revitalização da Avenida Tamandaré, recebendo inclusive a aprovação do Conselho de Desenvolvimento Municipal (Codem).
A retirada das árvores também é criticada por um grupo de professores da Universidade Estadual de Maringá (UEM), ligado à área de Ciências Biológicas. O grupo, formado por sete professores, quer a manutenção das árvores ornamentais. Eles fizeram um estudo da área e concluíram que a Prefeitura de Maringá deve rever a decisão de cortar as 100 árvores. A equipe de especialistas sugere que a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos e Meio Ambiente (Seuma) faça uma reestruturação do projeto de urbanização da área.
De acordo com a professora Maria Aparecida Sert, o poder público tem que discutir mais a questão ambiental porque Maringá pode perder a característica de ser uma das cidades mais arborizadas do País uma vez que tem se tornado uma prática comum a autorização para a derrubada de árvores. ''Parece que não existe preocupação em manter as árvores, simplesmente diante de qualquer problema se decide pela corte delas'', critica.
Para emitir o parecer, os especialistas levaram em conta diversos fatores, como as informações prestadas pela prefeitura, a visita ao local, o valor paisagístico e o vigor da maioria das árvores, o impacto ambiental causado pelo eventual corte, a relevância social da arborização e as leis e decretos municipais que proíbem a retirada de árvores e a poda de seus galhos.


