Justiça proíbe protesto em Caxias
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de fevereiro de 1998
Paulo Pegoraro 
Edson MazzettoPrejuízoAssis
Malacarne,
presidente
do Mabesc, e
excluídos:
comerciantes
reivindicam
indenização
pela perda
da clientela,
formada pelas
famílias que
estão sendo
reassentadas
em outros
municípiosA Justiça proibiu o Movimento dos Atingidos da Barragem Elétrica de Salto Caxias (Mabesc) de qualquer ação que afete o andamento das obras da Usina de Salto Caxias, no Rio Iguaçu. O presidente do Mabesc, Assis Malacarne, comprador de gado na região, havia ameaçado ocupar na tarde de ontem o canteiro de obras em Capitão Leônidas Marques (77 quilômetros ao sul de Cascavel), alegando que a Copel excluiu alguns setores do processo de indenização decorrente dos alagamentos que ocorrerão com o fechamento das comportas da usina.
A decisão judicial, comunicada ontem pela Copel, contribuiu para esvaziar a mobilização do Mabesc. Assis Malacarne havia anunciado que levaria grande número de excluídos para o protesto, mas por volta das 15h30 havia apenas 50 pessoas perto da guarita de acesso ao canteiro de obras, número inferior ao de policiais militares (57) destacados para impedir uma possível invasão. O Mabesc já não contava com apoio na região, tanto que Malacarne reclamou não ter obtido auxílio para contratar ônibus para levar os manifestantes.
A Copel moveu ação cautelar contra o Movimento e seu presidente para responsabilizá-los caso cumprissem a ameaça (ainda mantida) de organizar excluídos para invadir o canteiro. O juiz Antonio Carlos Scheibel Filho, de Capitão Leônidas Marques, que já havia contemplado a ação com uma liminar, decidiu que o Mabesc deve arcar com prejuízos decorrentes de uma paralisação das obras, estimado pela Copel em R$ 839 mil ao dia. Concretamente, o Mabesc já está condenado a pagar custas judiciais e honorários advocatícios da ação cautelar.
Assis Malacarne relaciona como excluídos principalmente pequenos comerciantes de fora da área dos alagamentos, mas que estariam sofrendo prejuízos com a redução da clientela (as famílias que estão sendo transferidas pela Copel para reassentamentos). Ele quer indenização de R$ 72 mil a R$ 216 mil para os comerciantes. O Mabesc, sediado em Boa Vista da Aparecida, foi criado no ano passado, enquanto desde 93 a Copel vinha discutindo com as comunidades o processo de indenizações e reassentamento.
A prefeitura e a associação comercial de Boa Vista da Aparecida não respaldam as ameaças do Mabesc. Valmor Eggert, diretor da Copel em Salto Caxias, afirma que há disposição de analisar caso a caso as alegadas exclusões. Não queremos injustiçar quem tenha direitos, afirma.


