Justiça proíbe meninos de trabalhar como engraxate
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segunda-feira, 30 de junho de 2008
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Esta pode ser a última semana de trabalho dos meninos de famílias carentes de Londrina que participam de atividades da Liga dos Engraxates Mirins. Uma decisão da Justiça do Trabalho, a pedido do Ministério Público, que considera o trabalho nas ruas prejudicial à formação dos adolescentes, proibiu os jovens de continuarem atuando no Calçadão, Área Central de Londrina.
A advogada da Liga, Giane Lopes Psuruta, disse que a entidade tem um prazo de oito dias para recorrer da decisão do juiz e afirma que os adolescentes continuarão trabalhando até o próximo sábado, quando será realizada uma reunião com os pais dos menores. ''Queremos buscar soluções junto com os responsáveis, caso contrário, teremos que nos colocar à disposição do juiz e do Ministério Público'', diz a advogada, que lamenta as argumentações que constam na sentença. ''A idéia que se tem é que eles estão se marginalizando por estarem atuando ali no Calçadão. Isso é um absurdo porque todos os clientes dos meninos são pessoas sérias, trabalhadores, que já estão até acostumados com eles'', comentou.
De acordo com Giane, no despacho do juiz está prevista uma multa de R$ 1 mil por cada menino que estiver trabalhando. Segundo ela, entre algumas argumentações na sentença do juiz está de que os meninos podem ser prejudicados porque estariam trabalhando num local inapropriado, sofrendo inclusive problemas por conta das questões climáticas, como chuva e sol. ''Quando chove não há atividades'', comenta.
Para Edinalton Santos de Oliveira, 17 anos, que há pelo menos três faz parte da Liga, a medida é ''muito ruim''. ''Minha mãe tem problema de saúde e eu ajudo em casa. Lá todo mundo trabalha, meu pai, meu irmão. Eu gosto de fazer parte da liga porque a gente não fica sem fazer nada e consegue um dinheirinho.''
Assim como Edinalton, outros 19 meninos que fazem parte da Liga dos Engraxates são acompanhados por profissionais que fornecem aos adolescentes café da manhã e almoço. Todo o dinheiro que eles recebem pelo serviço fica com eles.
A Liga dos Engraxates Mirins de Londrina, que existe há 42 anos, atende meninos pobres de 16 e 17 anos de idade. Os jovens devem frequentar a escola, missas na Catedral Metropolitana de Londrina e também passam por cursos profissionalizantes.
Para quem transita no Calçadão, a medida é ''radical''. O aposentado Ademar Belini, que costuma pagar para os meninos engraxarem seus sapatos, não concorda com a sentença do juiz. ''Eu acho errado porque eles gostam do que fazem aqui e não existe perigo algum a eles. Eu gosto do serviço e sempre procuro quando preciso. Acho que se eles sairem daqui acabarão indo para as ruas e daí sim poderão ser ainda mais prejudicados'', comentou. (Colaborou Micaela Orikasa)


