Rubens Burigo Neto
De Curitiba
A partir desta quinta-feira, em todo Brasil, está proibida a venda e a comercialização dos jogos eletrônicos Blood, Doom, Duke Nuken, Mortal Kombat, Postal e Requiem. O conteúdo violento de todas as versões destes jogos motivou o Ministério Público Federal (MPF) a propor a Ação Civil Pública, acatada na última sexta-feira, pela Juíza substituta Cláudia Maria Resende Neves Guimarães, da Justiça Federal de 1ª Instância da Seção Judiciária de Minas Gerais, em Belo Horizonte. A assessoria de imprensa do Ministério da Justiça informou que a decisão da juíza federal ainda não foi analisada pela secretaria de justiça do Ministério.
No despacho, Maria Resende também determina que sejam retirados do mercado os exemplares já existentes dos referidos jogos e que, em 120 dias, o Ministério da Justiça estabeleça critérios de classificação para todos os jogos de vídeo-game e computador, ‘‘segundo a faixa etária a que se destinam, e o conteúdo das mensagens que veiculam.’’ Segundo a juíza, a proposta tem legitimidade por estar baseada no artigo 227 da Constituição Federal e no artigo 6º do Estatuto da Criança e do Adolescente. Estes artigos, no entender do MPF, obrigam o poder público a colocar crianças e adolescentes salvos de toda forma de violência.
O assessor de imprensa da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), Rafael Marco, disse ontem que o departamento jurídico da entidade já está estudando o conteúdo do despacho e que até amanhã deve se pronunciar oficialmente. ‘‘É uma decisão absurda. Querem usar os jogos eletrônicos como ‘‘bode expiatório’’ para justificar a violência da sociedade’’, afirmou o gerente de produto da Tec Toy, Flávio Ferreira. A empresa é uma das fabricantes dos jogos Mortal Kombat e Duke Nunken. Ferreira informou que a Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes) também deve se pronunciar sobre a proibição.
A psicóloga e professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Paula Gomide, concordou com a decisão. ‘‘Jogos eletrônicos e filmes de ação provocam o aumento do comportamento agressivo nas crianças e isto está mais do que comprovado cientificamente,’’ alertou. Para a psicóloga os pais deveriam incentivar comportamentos mais positivos, dando brinquedos que estimulem o raciocínio.
Os donos de locadoras e lojas acreditam que a proibição não deve afetar o mercado. ‘‘Há aproximadamente três anos as crianças e adolescentes estão preferindo mais os jogos de esportes e simuladores de corridas de carros e motos’’, informou Márcia Rosa, sócia de uma locadora que funciona no bairro Água Verde. ‘‘É um jogo ultrapassado, que quase não tem mais procura’’, analisou Luiz Procópio, se referindo ao Mortal Kombat, lançado em 1991 no mercado brasileiro. Ele é dono de quatro fliperamas no centro de Curitiba.
‘‘São jogos tão violentos quanto outros’’, disse Cristiane Sprengel, dona de uma loja de jogos para vídeo games e computadores. Ela informou que não tem em estoque nenhum dos títulos proibidos e que mesmo antes da decisão não iria mais comprá-los porque ‘‘não têm mais saída’’.Uma decisão da Justiça Federal de Minas Gerais pode estender para todo o país a proibição da comercialização de certos games
Kraw PenasEM EXTINÇÃOGarotos jogam Mortal Kombat em uma loja de diversões eletrônicas no Bairro Água Verde, em Curitiba. Jogo está proibido em todo o país

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