O Ministério Público concedeu prazo até 31 de dezembro para a Construtora Vale do Iguaçu, de Foz do Iguaçu, desbloquear o leito do Rio Sanga São Ramon. Segundo o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), a empresa jogou entulhos de construção civil em um ponto do rio situado antes do encontro com o Rio Boicy, que corta parte da área urbana de Foz, bloqueando a passagem da água pelo leito e provocando um desvio em trecho de cerca de 150 metros.
O desvio resultou inclusive no desaparecimento de uma cachoeira e na ocorrência de erosão em uma área de preservação permanente. A empresa também teria aberto um canal para desviar o leito, mudando a paisagem natural, para ampliar em alguns metros o loteamento feito no Jardim Itália, região leste da cidade, conforme denunciam moradores do bairro. A loteadora nega a acusação.
Pelo crime ambiental, a construtora foi multada em abril deste ano em R$ 11 mil. Além da multa, a empresa apresentou em outubro um termo de compromisso garantindo que rapararia o erro ‘‘num prazo máximo de 24 meses’’. Mas, anteontem, a reportagem da Folha esteve no local e não constatou sinais de reparação do crime.
Por isso, o Ministério Público decidiu apressar o processo de reparação dos danos, concedendo prazo até 31 deste mês para a empresa desbloquear o rio. O MP exige também o plantio de mudas nativas na área degradada no prazo de seis meses, aumentando a mata ciliar em 30 metros; a retirada de uma casa construída na faixa de preservação do rio; o isolamento da área com cerca de arame farpado; e a apresentação de um projeto para transformar o local em parque de uso moderado.
Caso todos os itens sejam cumpridos, o valor da multa pode ter um desconto de 90%, caindo dos R$ 11 mil para R$ 1,1 mil. A advogada da construtora, Leila Lúcia Teixeira da Silva, argumenta que os entulhos que bloquearam o rio foram jogados por moradores da região e que o Sanga São Ramon recebe, através das chuvas, resíduos de cinco loteamentos.
A advogada disse ainda que o termo de compromisso será respeitado, inclusive com o fim do desvio, que deve ser feito por uma máquina retroescavadeira, sem provocar mais danos a parede sedimental do rio.

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