Justiça pode decidir volta do teleférico
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de dezembro de 1996
Filipe Pimentel<br> Da Sucursal 
O proprietário do teleférico de Matinhos, no litoral paranaense, David Silvério Fagundes, está tentanto na justiça autorização para reabrir o teleférico ainda este ano. Para isso, está realizando algumas modificações no equipamento, entre elas, reduzindo de 14 para quatro metros a altura das cadeiras. A decisão do Tribunal de Justiça para reabrir o teleférico pode sair antes do fim do ano.
Para que a autorização seja dada, Fagundes precisa realizar alguns testes de carga, solicitados pela Câmara Especializada de Engenharia Mecânica e Metalúrgica, do Crea-PR. Um novo engenheiro está comandando os trabalhos, disse sem revelar o nome.
David Fagundes quer processar civil e criminalmente o presidente do Crea, Orlando Strobel, pelo laudo do órgão sobre o acidente com o teleférico em janeiro de 95, quando duas pessoas morreram. O Crea culpou a administração do teleférico pelo acidente.
O argumento usado será o de que Strobel não poderia tê-lo responsabilizado pelas mortes. Isso quem faz é um juiz, depois do julgamento do processo. Vamos processá-lo por calúnia, afirmou o advogado Maurício Vieira.
Fagundes insiste que o acidente ocorrido em 10 de janeiro foi sabotagem. Para isso, ele apresenta algumas fotos mostrando uma ferramenta que teria sido usada para afrouxar o mecanismo do equipamento, causando o acidente. O Crea não comprovou a sabotagem.
Sobre a conclusão do Crea, que constatou erro na concepção do projeto e na operação do equipamento, como causadores do acidente, Fagundes apresentou alguns documentos, comprovando que o Crea, desde 1991, fez várias vistorias no local e em momento algum interrompeu a obra. Tem selo do Crea espalhado por todo o teleférico, afirmou Fagundes.
Além disso, Fagundes contestou as afirmações do Conselho, que dão conta que David Fagundes teria concluído as obras do teleférico sem a participação de um engenheiro habilitado, depois da morte do engenheiro Aroldo Buck e Silva, em 8 de maio de 88. Temos um ofício protocolado no Crea-PR, de 4 de junho de 90, informando o nome do novo engenheiro: Sérgio William Wolhke, disse Fagundes.


