O juiz da 2ª Vara Cível de Londrina, Luiz Sérgio Swiech, determinou ontem a paralisação das obras que a Associação Evangélica Nova Vida está executando em parte da Praça Tancredo Neves, localizada no Conjunto Habitacional Semíramis de Barros Braga, na zona norte da cidade. Swiech concedeu liminar à ação popular proposta por um grupo de moradores do bairro e sua decisão vale até o julgamento final da ação ou nova deliberação da Justiça.
O grupo de moradores do Semíramis havia pedido a demolição total ou parcial do muro construído pela entidade evangélica e que cercou 1.094 metros quadrados da praça. O presidente da Associação Nova Vida, Luiz Carlos de Souza, não foi encontrado ontem pela Folha. Na Igreja Assembléia de Deus, ao lado da praça, uma funcionária informou que o pastor Osmar Lucas (responsável pelo templo) estava viajando.
A polêmica entre os moradores do Semíramis e a Associação Nova Vida começou em março, quando a Câmara aprovou um projeto de lei de autoria do prefeito afastado, Antonio Belinati (PFL). Mesmo com parecer contrário da Comissão de Justiça, a Câmara desafetou parte da praça para a entidade construir salas de triagem para um centro de libertação e recuperação de toxicômanos, viciados em drogas e alcoolismo, além de salas de aula para uma escola dominical, o instituto bíblico das Assembléias de Deus e um estacionamento para veículos.
Apesar da liminar, os moradores ainda estão preocupados e acreditam que a intenção da igreja é construir somente um estacionamento para os fiéis. Um deles, José Benedito Cruz, lembra que a Associação Nova Vida chegou a fazer um abaixo-assinado pedindo apenas três metros da praça. ‘‘Não queremos a obra, queremos a praça limpa’’, afirmou. O representante comercial Umberto Vicentin observa que a liminar apenas suspendeu a obra. ‘‘Esse é o melhor local da praça, onde os jovens jogavam volei’’.
A vendedora Elizabeth Bento de Souza e a costureira Cleusa Sales Cruz afirmam que a revolta dos moradores aumentou porque o presidente da Associação Nova Vida alegou que a praça é frequentada por prostitutas e marginais. Os moradores sugerem que a obra da igreja seja construida em outro local, pois há vários terrenos baldios no bairro. A costureira Tereza Marine, filha de uma moradora do bairro, defende a obra da Assembléia de Deus. ‘‘Tem tanta coisa errada para ser vista e a gente precisa conhecer a palavra de Deus’’.

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