Justiça paraguaia nega benefício a Rosemary
Lino Ramos
Especial para a Folha
Está mais complicada a situação da londrinense Rosemary Garcia Ferreira, presa no Aeroporto Internacional de Assunção, Paraguai, no dia quatro de maio de 96. A polícia paraguaia alega que Rosemary foi presa em uma operação de rotina com quatro quilos de cocaína presos ao corpo com fita adesiva. Para a família, a jovem teria sido atraída por uma quadrilha internacional com a promessa de um emprego de secretária na Espanha e depois usada como bode expiatório pelos traficantes.
O advogado Jorge Custódio Ferreira, irmão de Rosemary, disse que o advogado da família em Assunção, Hugo Marcelo Perez, tentou mudar a tipificação da acusação de tráfico para que ela respondesse em liberdade, mas a apelação não foi aceita pelo promotor Gustavo Amarrilla Arnica e pelo juiz Gustavo Ocampos Gonzalez. A situação está difícil, havia a perspectiva de o caso ser julgado em julho e Rosemary ser colocada em liberdade, lamenta Custódio.
Caso seja condenada por tráfico de drogas no Paraguai, a londrinense poderá ser submetida a uma pena de 10 a 25 anos de prisão. Atualmente, ela está presa no Instituto Bom Pastor, um presídio feminino de Assunção.
Para tentar convencer a Justiça paraguaia de que a londrinense serviu de bode expiatório, Jorge Custódio Ferreira explica que a família tem procurado ajuda de entidades de defesa dos direitos humanos. No mês passado, Ferreira recebeu ofício da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, com a resposta do assessor da Presidência da República do Paraguai sobre a Moção de apoio a Rosemary, aprovada pela IV Conferência Nacional dos Direitos Humanos realizada em Brasília no mês de maio. No documento, o governo paraguaio se limita a relatar que a acusada exerce sua defesa dentro das garantias constitucionais daquele país.
Jorge Custódio encaminhou um pedido de auxílio para 50 entidades internacionais de direitos humanos. Segundo o advogado, os traficantes não deixaram provas sobre a trama que envolveu a sua irmã. As provas que temos são os antecedentes dela. Custódio diz ainda que a família enfrenta dificuldades financeiras para visitar Rosemary em Assunção. É um processo caro. Em alguns períodos já gastamos mais de R$ 10 mil, lamenta. Recentemente, o caso recebeu o apoio do Movimento Nacional dos Direitos Humanos e da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos.





