Justiça paraguaia liberta 2 brasileiros
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quinta-feira, 06 de março de 1997
Antonio França Sucursal de Foz do Iguaçu 
Ney de SouzaBebês na cadeiaRosemari e o filho, na semana passada: crianças ficam atrás das grades A brasileira Rosemari Alves da Silva, 17 anos, grávida de três meses, foi libertada ontem por determinação da juíza Maria Rúben Gonzales. Ela estava presa há três meses junto com o filho Eduardo, de 1 ano, na Penitenciária Feminina de Ciudad del Este, fronteira entre Brasil e Paraguai. A prisão, segundo a própria juíza, foi mais um erro cometido pela Polícia Nacional envolvendo brasileiros.
Rosemari mora em Santa Rita, Paraguai, a cerca de 130 quilômetros de Foz do Iguaçu. Ela só foi libertada depois da denúncia formulada pelo Movimento de Direitos Humanos de Foz, que na semana passada visitou a Penitenciária. Ela se envolveu em uma briga de vizinhos. As protagonistas do incidente foram sua irmã de 13 anos e uma garotinha paraguaia de 5 anos.
Como a polícia não podia levar as menores para a cadeia, a brasiguaia acabou sendo acusada. A própria juíza Maria Rúben admite os erros da polícia e diz que geralmente os processos são mal elaborados e acabam enchendo as comissarias (delegacias) e cadeias paraguaias.
Junto com o pequeno Eduardo, filho de Rosemari, outras quatro crianças entre um e três anos de idade, têm a mesma rotina que as mães presas na Penitenciária Feminina de Ciudad del Este. Sem local adequado, elas ficam atrás das grades.
O grande número brasileiros presos no Paraguai e a demora nos julgamentos levou o consuldado a pedir revisão de todos os processos. O advogado José Amilcar Talavera, chefe do escritório de advocacia contratado pelo governo brasileiro, já iniciou o trabalho.
A libertação de Rosemari trouxe esperanças para outra brasileira presa em Ciudad del Este. Ivonete Idalina dos Santos, 17 anos, acusada de roubo, jura inocência e tenta provar na Justiça. Ela está grávida de quatro meses.
Menor solto Anteontem à noite, o brasileiro Domingo da Luz, 17 anos, também foi libertado da Penitenciária de Alto Paraná, em Ciudad del Este, onde era acusado de roubo. Apesar de Domingo ser menor de idade, no Paraguai a responsabilidade criminal começa aos 14 anos. No despacho da Justiça, o mesmo motivo para a soltura: falta de provas.
Ele é o quarto brasileiro libertado em Ciudad del Este esse ano. O promotor Lúlio Gamarra admite as prisões irregulares feitas pela Polícia Nacional, mas disse que não acredita em perseguição aos brasileiros.Os erros são uma prática comum, infelizmente, lamenta.
Dos 537 presos na cidade fronteiriça, 95 são brasileiros. Desse total sete são menores de idade e apenas 1% recebeu sentença.


