Após dois adiamentos, a juíza da 4 Vara Criminal do Fórum de Londrina, Carla Pedalino, tomou ontem os depoimentos de cinco testemunhas -três de acusação e duas de defesa - no processo sobre o atropelamento de Amanda e Lucas Colonheis, de 10 e 7 anos respectivamente, mortas do dia 30 de junho de 2001. Elas foram atingidas sobre a faixa de pedestres, quando tentavam atravessar a Avenida Inglaterra (zona sul). As duas crianças foram atropeladas pelo estudante Leandro Antônio Bertola, que responde em liberdade a acusação por duplo homicídio culposo (sem intenção de matar).
Dois anos e três meses depois de perder os filhos e lutar para que o processo tramitasse com mais rapidez na Justiça, Ana Paula Colonheis se disse mais aliviada. ''Estou mais tranquila, porque essa era uma fase que estava emperrada. Tenho a impressão de que as coisas agora vão se resolver'', comentou. O réu não compareceu à audiência porque seu defensor pediu à juíza que fosse dispensado para garantir a preservação de sua imagem. ''Ele estava sofrendo com a pressão da mídia sobre esse caso e sua imagem estava sendo denegrida'', alegou o advogado José Amaro.
Durante a audiência, apareceram divergências entre o que aponta o laudo pericial e o que declararam as testemunhas oculares do acidente. A tese da acusação é de que o estudante estaria em excesso de velocidade e que não teria respeitado o semáforo, que estaria fechado para ele. Amaro constestou as duas acusações. Segundo ele, o laudo indica que Leandro dirigia devagar e a cronometragem do ciclo de sinalização do semáforo aponta que o estudante teria passado no verde.
Já o advogado de acusação, Áureo Nogueira, afirmou que duas testemunhas que presenciaram o acidente afirmaram de forma categórica que Bertola estaria em alta velocidade, incompatível com os 40 quilômetros horários permitido para o local. ''Uma delas relatou que as crianças foram arremessadas na altura próxima à do semáforo'', detalhou Nogueira. Outra testemunha teria declarado que o sinal luminoso estava no vermelho quando as crianças foram atingidas.
Duas testemunhas de defesa deverão ser ouvidas por carta precatória nos próximos dias. Concluída a fase, o processo segue para avaliações finais do Ministério Público. Depois, será encaminhado ao juiz para a sentença.

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