A juíza da 5 Vara Criminal, Oneide Negrão de Freitas, ouviu ontem os depoimentos dos policiais Rangel Barbosa da Cunha e Edney Ronaldo Gomes, da Rone (grupo especial da Polícia Militar), que participaram de ação policial no dia 15 de novembro referente a um assalto na Área Central de Londrina, quando foi roubado um Celta. Durante as diligências, o jogador de futebol Raphael Bezerra da Silva, 20 anos, foi baleado em uma casa no Conjunto Ernani Moura Lima (Zona Leste) e morreu na madrugada do dia 26 do mês passado.
Foram ouvidos ainda Thiarles Fernando da Silva, 18 anos, que participou do assalto e está detido no 4º Distrito Policial (DP) e Edvaldo Santos Silva, 22 anos, que também estava na casa. Familiares e amigos de Raphael, além de representantes do Movimento Consciência Negra de Londrina, permaneceram no corredor do Fórum durante a audiência.
A família acredita que houve excesso por parte dos policiais e aponta possíveis falhas nos laudos periciais. ''Segundo laudo do IML (Instituto Médico Legal), o Raphael tinha 13 perfurações no corpo e mais um ferimento no nariz que também pode ter sido causado por tiro. Mas só quatro munições foram para a perícia. Onde estão as outras balas?'', questiona o ex-jogador José Carlos da Silva, o Zequinha, pai de Raphael.
Zequinha lembra ainda que o filho foi autuado por porte ilegal de arma, apesar de duas testemunhas terem informado que o jogador não estava armado e não reagiu quando a equipe da Rone chegou à casa. Os policiais entraram na residência porque em frente ao imóvel foram encontrados o macaco e um pneu do veículo roubado. Raphael tinha vindo de Portugal, onde tentava se profissionalizar como jogador de futebol, para terminar o ensino médio.
Os dois policiais saíram da audiência sem dar declarações. A reportagem não conseguiu falar com a juíza Oneide Negrão. O advogado da família do jogador, Homero da Rocha, informou que irá aguardar a conclusão do Inquérito Policial Militar (IPM) para decidir que procedimento será tomado. ''Acreditamos que a própria auditoria da Polícia Militar, que será instaurada após o encaminhamento do inquérito para Curitiba, conduzirá o caso para a justiça comum e, neste caso, o julgamento será feito no Tribunal do Júri'', informou o advogado.
O comandante do 4º Batalhão da Polícia Militar (5º BPM), tenente-coronel Manoel da Cruz Neto, disse que o IPM será encaminhado ao Comando Geral da PM assim que for possível anexar ao inquérito o laudo de lesões referente à morte de Raphael. ''Se a auditoria entender que não se trata de crime militar, o caso volta para a justiça comum.'' O tenente-coronel confirmou ainda que os policiais estão de férias, mas afirmou que as mesmas já estavam programadas anteriormente. Quanto à possibilidade de afastamento dos dois soldados das ruas, ele disse que vai avaliar o caso e, ''se achar conveniente, pode ser que eles sejam colocados em funções administrativas''.
No próximo dia 19 será realizada outra audiência no Fórum de Londrina, onde serão ouvidas as vítimas do assalto.

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