Justiça nega mandado de segurança para catadores voltarem ao Lixão
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sexta-feira, 19 de outubro de 2001
Érika Pelegrino<br> De Londrina 
Os catadores de lixo que impetraram mandado de segurança para garantir o direito de trabalhar no Lixão de Londrina tiveram seu pedido negado judicialmente. A decisão foi dada ontem, no final da tarde, pelo juiz da 2ª Vara Cível, Luís Sérgio Swiech. Em 10 de junho último a Companhia Municipal de Transporte e Urbanização (CMTU), retirou do Lixão 22 catadores. Muitos trabalhavam no local há mais de 10 anos.
Dentro da política de reciclagem que o município está tentando implantar desde o início deste ano, os catadores são retirados das ruas, passam um período separando lixo reciclável na Fazenda Refúgio, que é abastecida pela CMTU e depois passam por treinamentos para que se organizem em ONGs.
Um dos grandes problemas enfrentados por estas organizações de catadores tem sido conseguir o lixo para reciclagem. O mesmo ocorreu com o grupo que saiu do Lixão e resiste em criar uma ONG. Dos 22, nove ainda estão na Fazenda Refúgio e tinham a expectativa de voltar para o Lixão.
O principal argumento do grupo é a pouca quantidade de lixo que chega à Fazenda Refúgio. Segundo um dos catadores, Maurício Dias, normalmente apenas um caminhão por dia despeja material para ser separado e reciclado. ''Estamos tirando em média R$ 180,00 por mês e no Lixão chegavamos a tirar R$ 300,00 por semana'', afirma.
Em sua decisão, o juiz Luís Sérgio Swiech argumentou que o Lixão é uma área pública destinada ao serviço público e não a atividades privadas; e que as condições em que o trabalho era desenvolvido no local eram de total insegurança para a vida e a saúde. Segundo o assessor de imprensa da CMTU, Salvador Francisco, estão sendo estudadas alternativas para aumentar a quantidade de lixo reciclável na Fazenda Refúgio. Uma delas é firmar convênios com empresas e supermercados da cidade. Os catadores iriam até estes locais onde separariam o lixo reciclável e a CMTU faria a coleta.


