Justiça nega liminar contra cotas na UFPR
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sexta-feira, 04 de fevereiro de 2005
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O sistema de cotas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) pode gerar uma enxurrada de ações judiciais por parte dos candidatos não aprovados no último vestibular, o que, de certa forma, já era previsto pela instituição. Mas a primeira decisão da Justiça Federal de Curitiba, em ação movida por uma estudante que perdeu a oportunidade de ingressar no curso de medicina, foi desfavorável. O juiz federal substituto da 4 Vara Federal, Fabiano Bley Franco, entendeu que o sistema é legítimo e indeferiu o pedido de liminar.
O advogado da estudante Marta Lisiê Klein, José Carlos de Almeida Lemos, disse que irá recorrer da decisão junto ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 4 Região, em Porto Alegre (RS). Ele acredita que pode ter sucesso, levando em conta que já houve decisão favorável no tribunal contra o sistema de cotas na ação proposta por um procurador do Ministério Público (MP) federal de Guarapuava. A liminar em favor dessa ação, no entanto, foi posteriormente suspensa.
Marta teria ingressado na UFPR não fosse o sistema de cotas. Excluindo as 70 vagas destinadas a afrodescendentes e egressos de escolas públicas, ela teria ficado com a 120º colocação. O curso de medicina oferecia 176 vagas.
Para o juiz federal, o sistema educacional brasileiro é ''perverso'', já que confere a possibilidade de frequentar curso superior em instituição pública a quem tem melhores condições financeiras de pagar por curso privado, e retira dos carentes a oportunidade de cursar o nível superior gratuitamente.
O estudante André Luís David discorda desse preceito porque está sentindo na pele a dificuldade de arcar com a mensalidade do curso de medicina em uma universidade privada. Ele diz que cursou o ensino médio em escola particular ao custo de muito sacrifício para ter uma melhor preparação. David também pretende questionar na Justiça o sistema de cotas, pois via a chance de entrar na UFPR em uma eventual segunda chamada. O estudante ficou na 76 colocação, além dos 106 colocados na concorrência geral.
A Folha tentou ouvir a UFPR, mas foi informada pela assessoria de imprensa que a pessoa que poderia falar sobre o assunto não estava disponível.


