Às 8h30 do dia 28 de novembro o Tribunal do Juri de Londrina deverá ser reunido pela quarta vez para realizar o julgamento de Marcos Campinha Panissa, acusado de ter assassinado sua ex-mulher, Fernanda Estrusani, em agosto de 1989. O crime aconteceu no apartamento onde ela morava, no centro da cidade. Ele está foragido da Justiça desde 23 de junho de 1995. O homicídio foi um dos mais marcantes da história criminal de Londrina.
O quarto julgamento, um dos raríssimos casos em que o mesmo réu é julgado tantas vezes pelo mesmo crime, só foi possível graças às mudanças recentes provocadas pela entrada em vigor da Lei 11.689, de junho de 2008, relativa aos crimes dolosos contra a vida. Até antes das alterações, a presença pessoal do acusado era essencial para a realização do juri. Com a nova lei, o réu solto ou foragido é intimado sobre o dia de seu julgamento mas caso não compareça em plenário, sua ausência não poderá ser usada para anular a decisão dos jurados.
O terceiro julgamento de Panissa, por exemplo, que deveria ter sido realizado em junho de 1995, não aconteceu justamente porque ele não compareceu. O julgamento anterior, no qual o réu foi condenado a nove anos de reclusão, havia sido anulado. No primeiro julgamento, em outubro de 91, Panissa foi condenado a 20 anos e seis meses de prisão e recorreu em liberdade.
Caso o quarto jugalmento aconteça e o réu seja condenado, o prazo de 20 anos para prescrição (que neste caso, seria agosto do ano que vem) perde a validade. Esta foi outra alteração introduzida pela nova lei.
Fernanda foi foi golpeada 72 vezes com uma faca de dois gumes, que nunca foi apreendida. Dias depois, Panissa admitiu a autoria do crime à polícia. Desde o terceiro julgamento, ele nunca mais foi visto. Em novembro do ano passado, chegou-se a cogitar a hipótese de que ele teria sido preso nos Estados Unidos mas a informação não se confirmou.
O advogado que defende o acusado do crime, Antônio Carlos Vianna, foi procurado mas argumentou que não havia estudado o processo.

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