Justiça mantém quebra de sigilo de Pantazis
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quarta-feira, 06 de setembro de 2000
Dimitri do Valle De Curitiba 
O Grupo de Câmaras Criminais do Tribunal de Justiça manteve ontem a quebra do sigilo bancário do empresário Georges Pantazis. O empresário ingressou com mandado de segurança para impedir o acesso de promotores as suas contas. Ele é acusado pelo Ministério Público de ter se beneficiado de um empréstimo de R$ 350 mil. O dinheiro teria sido retirado dos cofres da Polícia Militar pelo então comandante-geral Luiz Fernando de Lara, que também é investigado. O resultado (4 a 3) da votação do caso, conhecido como o das jaquetas coreanas, foi apertado.
Os desembargadores Newton Luz, Carlos Hoffmann, Telmo Cherem e o juiz convocado Milani de Moura decidiram pela manutenção da quebra de sigilo desde 1997, autorizada pela Central de Inquéritos. O relator do processo, desembargador Clotário Portugal Neto e os desembargadores Moacir Guimarães e Otto Sponholz defenderam o acesso apenas à movimentação bancária de Pantazis do ano passado.
O advogado de Pantazis, René Dotti, esteve presente na reunião, que aconteceu a portas fechadas. Na saída, ele não quis dar declarações. A defesa do acusado se baseou na tese de que o dinheiro movimentado não saiu dos cofres da PM. Ele teria partido da Associação da Vila Militar (AVM), cooperativa de caráter privado que congrega policiais militares e faz a intermediação da compra de fardas para a corporação. Os R$ 350 mil teriam sido liberados por Lara, sem licitação, para a importação de um lote de 1,7 mil jaquetas importadas da Coréia do Sul.
Depoimentos colhidos pela Promotoria de Investigações Criminais (PIC) apontaram que a concessão do dinheiro não passou de um empréstimo pessoal concedido pelo ex-comandante geral ao empresário. Lara e Pantazis foram denunciados à Justiça por crimes de peculato (apropriação irregular de recursos públicos), improbidade administrativa e superfaturamento.


