Luciana Pombo
De Curitiba
O desembargador Telmo Cherem, da 2ª Câmara Criminal de Curitiba, negou na última quinta-feira o pedido do Ministério Público para retirar a guarda provisória do casal de gêmeos do deputado estadual Edson Praczyk, pastor da Igreja Universal do Reino de Deus e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa. O caso foi julgado pelo juiz André Luiz Taques de Macedo, do Juizado da Infância e Juventude de Campo Largo.
Segundo a promotora Cláudia Regina, que acompanha o caso, este era apenas o primeiro passo para tentar devolver o casal para os pais biológicos, Natálio Firszt (29) e Marisa Souza Taborda da Maia (35). ‘‘A princípio, as crianças deveriam retornar aos pais biológicos, porque eles não foram destituídos do pátrio-poder’’, defendeu ela.
A guarda provisória das crianças foi concedida em outubro do ano passado, sem a presença do Ministério Público. Por esta razão, a promotora também já entrou com um recurso para pedir a suspeição do juiz André Luiz Taques de Macedo. O pedido já havia sido feito pelo antigo advogado dos pais biológicos, Adel El Tasse, mas foi negado.
A suspeição foi pedida pela primeira vez em outubro do ano passado por causa da forma com que a guarda provisória foi assinada pelo pastor Praczyk. ‘‘Ele (o pastor) deveria ter apresentado as crianças na segunda-feira. Mas ele conseguiu, sabe-se lá como, a guarda provisória num final de semana, sem o nosso conhecimento’’, disse ela.
Com a decisão judicial, o advogado José Antonio Faria Brito – que defende o deputado Praczyk – acredita que o processo de adoção entre em fase final. ‘‘Agora só falta atender nosso pedido de extinção do processo de busca e apreensão das crianças’’, afirmou ele. O pedido foi feito no último dia 16, com base no fato dos pais biológicos não terem obedecido o prazo legal de 40 dias para a constituição de um novo advogado. O fato teria acontecido no dia 27 de outubro do ano passado, quando os advogados Adel El Tasse e Eurolino dos Reis desistiram de defender o casal. O juiz da comarca de Campo Largo, André Luiz Taques de Macedo, solicitou que num prazo de dez dias, prorrogado por mais 30, o casal se apresentasse com novo advogado. ‘‘Eles não cumpriram o prazo o que caracteriza desinteresse’’, declarou Brito.
O deputado Edson Praczyk disse que – passado o processo de adoção – deverá começar a procurar formas de agilizar o sistema de adoção no Paraná.
O inquérito criminal, que indicia o deputado por comércio e registro falso de crianças, ainda está sendo analisado pelo Ministério Público. De acordo com Cláudia Regina, os dados estão sendo compilados para o oferecimento da denúncia. ‘‘Como ele tem foro privilegiado, por ser deputado, tenho que analisar bem como farei a denúncia’’, complementou ela.

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