Justiça mantém ações contra PM acusado de matar 14 pessoas em Tamarana
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quarta-feira, 21 de março de 2018
Rafael Machado<br>Grupo Folha 
A juíza Deborah Penna, substituta da 1ª Vara Criminal, negou nesta terça-feira (20) a suspensão de todas as denúncias formuladas pelo Ministério Público contra o policial militar Marcelo Bonfim Ledo, 38 anos, acusado de praticar 14 homicídios em Tamarana (50 km de Londrina). Na mesma decisão, a magistrada manteve o soldado preso no Batalhão de Polícia de Guarda, em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba), onde está desde o final de janeiro, e descartou juntar os inquéritos abertos pela Delegacia de Homicídios de Londrina (DHL). O pedido foi feito pelo advogado Guilherme Cavalcanti, que não quis comentar o despacho.
A defesa quis o cancelamento das ações penais até a conclusão das investigações porque os crimes "têm algum grau de conexão entre si, pois foram praticados em continuidade delitiva", mas o Ministério Público se opôs à solicitação. Para a Justiça, "nem sempre a junção dos processos é conveniente" e que "os autos, sejam de inquérito ou denúncias, encontram-se em fases distintas, acarretando assim tumulto no andamento do processo e invibializando a apuração dos fatos". Segundo a polícia, os assassinatos ocorreram em um intervalo de aproximadamente um ano.
Em fevereiro, Ledo voltou a Londrina para participar de algumas audiências em que foi convocado. Uma delas discutiu a morte de Everson Gomes, 28, conhecido como "Véio", em frente à sede da Prefeitura de Tamarana. Segundo a DH, o rapaz foi baleado quando estava com a esposa e recebido mais três tiros na cabeça. O PM teria fugido em um Gol branco, carro que também seria usado para cometer os outros crimes. Neste caso, o policial afirmou que estava fazendo compras em um mercado do distrito de Lerroville, que fica ao lado de Tamarana, quando soube do homicídio de Everson.
Em outra situação, em fevereiro de 2017, Marcelo Ledo também é acusado de matar João Paulo Fonseca Santos, 24 anos, em uma estrada que liga Tamarana a Lerroville. Os tiros atingiram o tórax da vítima. O corpo foi encontrado por um motociclista que passava pelo local. O soldado foi novamente chamado para prestar esclarecimentos no Fórum de Londrina. A audiência foi marcada para 9 de maio.


