Justiça manda suspender obra do Karst
Giovani Ferreira
De Curitiba
A Justiça determinou ontem a suspensão das obras de exploração do Aquífero Karst, no município de Colombo, Região Metropolitana de Curitiba. Concedida pelo juiz Rogério de Assis, a liminar atende solicitação do Movimento Pela Defesa do Aquífero Karst, que há um mês entrou com uma ação civil pública contra a Sanepar, defendendo a proposta de que a retirada da água está sendo feita de forma irresponsável, causando prejuízos aos produtores rurais e ao meio ambiente de Colombo. A Sanepar está esperando a notificaçaõ oficial para recorrer da decisão.
A paralisação das obras já havia sido definida pela Câmara Técnica do Karst no último dia 29. Porém, entendendo que a câmara não possui caráter deliberativo, mas apenas consultivo, a Sanepar não cumpriu a decisão. Desde então a companhia vem alertando que a paralisação das obras pode comprometer o abastecimento da maior parte da população do município. Conforme números da Sanepar, 120 mil dos 160 mil habitantes de Colombo recebem água retirada do aquífero. Os outros 40 mil são abastecidos através do sistema integrado de Curitiba.
A Associação dos Produtores Rurais de Colombo (Apac) comemorou a decisão judicial, lamentando apenas que ela não tenha saído antes, uma vez que a exploração já causou muita degradação ambiental, disse Nicácio Strapasson, um dos agricultores do município. Presidente da Apac, ele lembrou dos diversos rios e fontes de água que secaram aos longo dos três anos de exploração do aquífero. Agora, com a paralisação das obras, Strapasson e dezenas de produtores da região esperam que as fontes voltem a jorrar, abastecendo os rios e açudes que secaram.
Com o apoio da prefeitura municipal e da maioria dos vereadores, os produtores querem que a Sanepar conclua o estudo de impacto ambiental da obra, para então dar sequência à exploração. Os integrantes da câmara técnica acreditam que um estudo detalhado pode garantir uma exploração racional, sem danos ao meio ambiente e aos produtores da zona rural do município. Segundo Strapasson, ninguém é contra a partilha da água com a população urbana, mas sim que tudo seja feito de forma responsável.
O consumo atual em Colombo é de aproximadamente 220 litros/segundo. De acordo com a Sanepar, o aquífero rende 160 litros e os 60 litros que faltam são garantidos pelo sistema de Curitiba. Com a paralisação das obras do Karst, a companhia alega que não terá como impedir o desabastecimento do município, que fatalmente deverá sofrer com o fornecimento irregular de água.
Através de uma campanha de conscientização da população, a prefeitura e a Apac pretendem garantir a redução de pelo menos 20% no consumo de água do município. Os organizadores da campanha, que começou há três semanas, acreditam que diminuindo o consumo será possível combater o desabastecimento.





