Justiça manda soltar dois sem-terra
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quarta-feira, 22 de outubro de 1997
Lucinéia Parra 
Maringá
Marcelo AlmeidaComemoraO MST reuniu cerca de 4 mil pessoas ontem à tarde na Boca Maldita, em Curitiba, onde Trabalhadores Rurais Sem Terra comemoraram a libertação de Celso Anghinoni e Delfino Becker, que estavam presos desde 17 de setembro por determinação da juíza Elizabeth Kather, acusados de invadir e cometer danos contra a Fazenda Água da Prata, em Querência do Norte. Ontem a juíza decidiu libertar os presos depois de ouvir duas testemunhas de acusação.Os líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) na região de Querência do Norte (a 113 quilômetros de Paranavaí), Celso Anghinoni e Delfino Becker foram soltos ontem. A juíza de Loanda, Elizabeth Khater, acatou o terceiro pedido de relaxamento da prisão deles, feito ontem, durante audiência com duas testemunhas de acusação. Uma delas disse não conhecer nenhum dos acusados de invadir e cometer crimes de danos contra a Fazenda Água da Prata, em Querência do Norte. A segunda testemunha disse que Becker e Anghinoni estiveram na fazenda no dia da invasão, mas foram embora meia hora depois. As duas testemunhas de acusação afirmaram que não sabem apontar os responsáveis pelos crimes cometidos na fazenda, invadida em maio deste ano.
Diante a falta de provas contra os sem-terra, a Promotoria pediu o relaxamento de prisão dos dois. Becker e Anghinoni retornaram à Querência do Norte ontem à tarde. Eles foram presos no dia 17 de setembro por determinação da juíza Elizabeth Kather. Anghinoni e Becker e outros três líderes do MST na região, que também tiveram a prisão preventiva decretada, são acusados de crime de formação de quadrilha, esbulho possessório, danos contra a propriedade, furto qualificado e lesões corporais.
Desde a prisão dos dois, a Rede Autônoma de Advogados Populares do Paraná entrou com dois pedidos de relaxamento de prisão no Fórum de Loanda e com pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça do Paraná, em Curitiba, e no Superior Tribunal da Justiça (STJ), em Brasília. Os pedidos foram indeferidos.
A Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, em Curitiba, só vai avaliar na próxima quinta-feira o pedido de habeas corpus para os sem-terra Pedro Alves Cabral, Arlei Escher e Juscelino Antônio Gonçalves, todos com prisão preventiva decretada pela juíza Elizabeth Khater. Os três estão foragidos.


