Josoé de Carvalho


Arquivo Folha


Hospital da discórdiaO prédio, vendido para o Município, foi fechado em 1989 pela Vigilância Sanitária por falta de cuidados; prefeito Adécio Búfalo e o ex-prefeito José Catelli comentam o sequestro dos bens



A Justiça da Comarca de Bela Vista do Paraíso determinou o sequestro de bens móveis e imóveis do ex-prefeito de Alvorada do Sul (68 km ao norte de Londrina), João Eudes Parente de Alencar. Uma ação popular movida em 1995 questionava a desapropriação e compra do hospital e maternidade São Bento, de propriedade do então prefeito, pelo Município. Foram pagos R$ 288.750,00 pelo imóvel e gastos mais R$ 92.808,61 com reformas, construção da maternidade e aquisição de equipamentos.
O despacho de quatro promotores de Justiça - três de Curitiba e um de Bela Vista do Paraíso - denunciava o prefeito e mais 10 pessoas por responsabilidade de atos de improbidade administrativa, solicitando medida cautelar de sequestro de bens e quebra de sigilo bancário e fiscal. O juiz Hélder José Anunziato acatou somente o pedido de sequestro dos bens do ex-prefeito e do filho dele, João Eudes Junior Freire de Alencar, deixando a quebra de sigilo fiscal e bancário para ser definido após a defesa.
Foram indisponibilizados imóveis rurais em nome do ex-prefeito e do filho, em Reserva e Ortigueira; um apartamento em Londrina; uma casa em Alvorada do Sul e sete veículos. Também foram denunciados os ex-vereadores José Luiz Gil, Marcos Antônio Gasparelli, Lírio Antônio Sólcia, Albertino José Spirandio, José Donizete Mansano e os engenheiros que avaliaram o imóvel, Alípio Martins Ramos de Melo, José Lineu de Godoy, Manoel Francisco Piolo e Maurício Dudeque.
Em 1995, o prefeito colocou o hospital à disposição para ser municipalizado, alegando necessidades do setor de saúde. O hospital estava fechado desde 1989, quando uma fiscalização da Vigilância Sanitária o interditou por falta de condições para uso. Na mesma época, o Hospital Comunitário - este em funcionamento hoje - também foi oferecido para ser municipalizado, mas João Eudes não aceitou o pedido.
Os cinco vereadores da situação convocaram sessões ordinárias e extraordinárias para aprovar a compra do hospital, de um terreno ao lado e da casa do prefeito. Houve tumulto nas sessões da Câmara e houve necessidade de a polícia retirar manifestantes do plenário. Os promotores apontaram diversas irregularidades no processo, entre elas a avaliação dos imóveis construídos em 1952 - mesmo período da emancipação política do município -, onde alegaram que o prédio era 20 anos mais novo.
Após as eleições do ano passado, João Eudes e família se mudaram para Londrina. O filho do ex-prefeito foi indiciado por ser estudante e possuir vários imóveis em seu nome, inclusive um apartamento de cobertura, comprado por R$ 18 mil.
Alencar foi procurado pela Folha no apartamento dele, no centro da cidade. Por interfone, um dos filhos, que não quis se identificar, disse que o pai estaria viajando e que não tem dia para retornar, evitando comentar onde ele estaria.

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