Justiça manda prender maridos violentos
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sexta-feira, 23 de janeiro de 2004
Marta Medeiros<br> Equipe da Folha 
Maringá - A Justiça de Maringá vem atuando para prevenir desfechos trágicos em casos de violência doméstica. Em 70 dias, já decretou a prisão de dois maridos que agrediam e ameaçavam as esposas de morte. Um deles está preso desde 11 de novembro e outro, foragido.
O caso mais recente ocorreu semana passada. O pintor Moacir Rosani, 43 anos, está sendo procurado pela polícia. Denunciado pela ex-esposa, ele teria confirmado a intenção de matá-la perante uma policial da Delegacia da Mulher.
Segundo a delegada Elza Correia, maridos violentos agem tranquilamente porque, na maioria das vezes, sabem que a lei é branda e quase sem alcance. Casos de ameaça são julgados nos tribunais de pequenas causas, que punem com penas alternativas, entre elas, distribuição de cestas básicas para entidades.
A demora em julgar o caso também prolonga a exposição da vítima ao agressor. Em 1997, após denunciar o marido por ameaça de morte, uma dona de casa de Paiçandu foi morta um dia antes da audiência judicial. No ano anterior, um marido, que já havia sido denunciado várias vezes por espancamento, matou a ex-mulher dentro do Fórum de Maringá, após uma audiência de divórcio, porque não aceitava a separação.
A Delegacia da Mulher de Maringá registra em média 10 ocorrências de agressão doméstica por dia. Casos de maridos agressores que cumpriram a ameaça de morte fazem parte da estatística recente da polícia. No ano passado, duas mulheres foram mortas depois de denunciar espancamentos e ameaças dos companheiros.
Num dos casos, a enfermeira Edna Rodrigues da Silva, 46, foi assassinada com 14 facadas pelo ex-marido Jovelino de Sousa, 57, num ponto de ônibus. Ele não aceitava a separação e havia sido denunciado na delegacia por agressão e ameaça três dias antes.
Em dezembro passado, a dona de casa Ivanir Mendes Paulino, 36, denunciou o marido à polícia, depois de 20 anos de surras e humilhações. Cinco dias depois, foi morta com cinco facadas, na frente dos filhos pequenos. O marido, João Paulino, 48 que segundo a polícia, também violentava as filhas de 12 e 16 anos , continua foragido.
Diante da fragilidade da lei contra agressores domésticos, a Delegacia da Mulher adotou a prática de orientar as vítimas a se precaver contra desfechos trágicos. ''Somente a mulher conhece o marido e pode saber se ele é capaz de matar ou não, por isso, a denúncia de ameaça deve ser enfática sobre a índole violenta do marido'', diz a delegada. Desta forma, segundo ela, é possível preparar o pedido de prisão.


