Justiça manda indenizar moradores
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de março de 2001
Dimitri do ValleDe Curitiba 
Moradores do Conjunto Habitacional Colina Verde, no Bairro Alto, em Curitiba, conseguiram uma indenização por defeitos de construção em suas casas. O juiz do Tribunal de Alçada, Sérgio Rodrigues, que na época atuava na 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça, condenou a construtora C.R. Almeida, a Cooperativa Habitacional da Região Metropolitana de Curitiba (Cohametro) e o Instituto de Orientação às Cooperativas Habitacionais no Estado do Paraná a ressarcir 128 famílias das 279 que moram no local.
O valor da indenização só será conhecido depois que o processo retornar à 5ª Vara Cível de Curitiba, onde o caso começou a ser analisado em 1995. O advogado da construtora, Sandro Martins, disse que a C.R. Almeida vai recorrer da decisão. Martins disse que a empresa não iria se pronunciar sobre o assunto enquanto não conhecer o teor do despacho do juiz. Para os moradores, a decisão representou o fim de um novela que se arrastava desde a inauguração do conjunto há 23 anos.
Foi uma luta de mais de 20 anos. É um vitória do povo, afirmou José Marçal Kaminski, um dos representantes dos moradores que ajuízaram a ação. Ele ficou sabendo do resultado do caso quando a Folha o entrevistou ontem à tarde. Segundo ele, os materiais usados na construção das casas eram de baixa qualidade. Ele relatou que todas as residências tinham rachaduras nas paredes, canos entupidos e instalação elétrica precária. Na época em que os problemas apareceram, no começo da década de 80, um grupo de moradores foi à sede do extinto Banco Nacional de Habitação (BNH), no Rio de Janeiro, para pedir uma solução, mas ninguém foi atendido.
Em 1983, C.R. Almeida, Cohametro e Inocoop reconheceram os defeitos relatados pelos moradores, mas os reparos não foram executados. Os moradores foram obrigados a providenciar as reformas. Em 1995, eles ingressaram com uma ação na 5ª Vara Cível. Na época, o pedido de reparação de danos chegou a ser negado pela Justiça que entendeu não existir comprovação de danos. Os moradores chegaram a pagar um perito para levantar os prejuízos que serviram para comprovar a baixa qualidade das casas.
Kaminski disse que todos os moradores que compraram residências no Conjunto Colina Verde foram enganados. Nos ofereceram cristal e vimos que tínhamos adquirido vidro, afirmou.


