O Tribunal de Justiça concedeu no final da tarde de anteontem, habeas-corpus ao prefeito de Marquinho (145 km de Guarapuava), João Eleutério de Lima (PSDB). O prefeito e seu irmão, José Eleutério de Lima, são acusados de duplo homicídio contra os irmãos Agenor e Jorge Nogueira, depois de uma discussão domingo à tarde, durante uma festa no salão da igreja do distrito de Gleba Nove.
O benefício foi concedido pelo desembargador relator Cláudio Nunes do Nascimento, da 2ª Câmara do TJ.
Segundo o advogado Amílcar Cordeiro Teixeira, que também é contratado pela prefeitura para responder por serviços administrativos e licitações, ‘‘o que motivou o relaxamento do flagrante pedido pelo delegado de Laranjeiras do Sul foi também o fato de não ter ocorrido perseguição e por ter o prefeito comunicado o ocorrido às autoridades policiais’’. O habeas-corpus também foi concedido para o irmão do prefeito, José de Lima.
O delegado Pedro Fernandes de Oliveira, da 44ª Delegacia Regional de Laranjeiras do Sul, não terminou de ouvir o prefeito de Marquinho. ‘‘João de Lima deverá marcar uma data, horário e local para ser ouvido’’, assegurou o advogado. Teixeira admitiu que ainda não ouviu a versão do prefeito e que não teve acesso ao inquérito.
Para o delegado Pedro Fernandes de Oliveira, o habeas corpus deverá dificultar as investigações. ‘‘A população de Marquinho clama por Justiça, mas as pessoas estão com medo genérico de falar’’, disse Oliveira. ‘‘As investigações devem continuar, porque o laudo pericial realizado nos corpos das vítimas coincide com as declarações das testemunhas, de que houve execução’’, afirmou o delegado.
‘‘No laudo do Instituto de Criminalística de Guarapuava consta que um dos tiros transfixou o corpo, sendo atingido na nuca e saindo próximo a testa’’, completou.
O prefeito João e José Eleutério de Lima permanecem internados no Hospital São Vicente de Paulo, em Guarapuava, já sem a guarda da Polícia Militar. Eles foram submetidos a exames, passam bem, e estão em observação.

mockup