Justiça liberta oito sem-terra em Cascavel
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sexta-feira, 01 de setembro de 2000
Paulo Pegoraro De Cascavel 
Oito lavradores sem-terra que haviam sido presos no dia 25 de setembro, durante despejo feito pela Polícia Militar (PM) na Fazenda Cajati, no município de Cascavel, foram libertados no final da tarde de ontem por ordem judicial. Eles estavam recolhidos ao minipresídio, sob acusações de esbulho possessório (invasão), formação de quadrilha, porte ilegal de arma e resistência à ordem. A libertação foi obtida na Comarca local pela advogada Andréia Indalêncio, que defende o Movimento dos Sem Terra (MST) na região.
Os sem-terra libertados, e que seguiram imediatamente para o acampamento na mesma fazenda, a 30 quilômetros da cidade, são Ivo Becker, Paulo Klein, Paulo de Oliveira, Roberto Cavalheiro, Miguel de Souza, Ronaldo de Barros, Adriano Lourenço e Walmir Wenzler. Além deles, a menor L.C.M., de 17 anos, também havia sido presa e mantida em cela especial do minipresídio, mas foi liberada um dia depois. A prisão foi contestada pela advogada Andréia Indalêncio, porque o local não é para menores.
A Justiça estabeleceu a liberdade como provisória para que os sem-terra possam responder inquérito, uma vez que não têm antecedentes. O despejo feito pela PM ocorreu um dia após a invasão de uma parte da fazenda Cajati, originalmente com 30 mil hectares e hoje dividida entre herdeiros da família Festugatto. Na área há outros três acampamentos. De um deles saíram as duzentas famílias invasoras, alegando não haver espaço para o total de mil famílias.
No despejo, três sem-terra e uma menina de 8 anos foram feridos com balas de borracha disparadas pelos policiais militar. O comando da PM alega que os disparos foram feitos porque houve resistência dos sem-terra. A PM afirma ainda que encontrou dois revólveres e duas espingardas no acampamento, além de cinco coquetéis molotov (bombas caseiras feitas com gasolina).


