Justiça investiga conexão de tráfico internacional
Paulo Pegoraro
De Cascavel
A Justiça Federal de Cascavel tentará notificar na próxima semana três conhecidos empresários de Toledo (45 km a oeste de Cascavel) acusados de tráfico internacional de drogas e formação de quadrilha. O caso, que era mantido em sigilo, deve ter grande repercussão, inclusive internacional. Os acusados são da família Tormena: Raineldes, 53 anos, seu irmão Antonio Joaquim, 51 anos, e Giuliano Fabian (idade não divulgada), filho de Antonio.
Os três eram sócios de uma madeireira na cidade e constituíram uma subsidiária na Espanha para onde, segundo os autos do processo, enviaram 1.190 quilos de cocaína, com pureza de 80%, extremamente superior à distribuída internamente no País por traficantes. O envio aconteceu em 1996, mas até agora o caso era conhecido apenas na Espanha, onde há processo apurando o tráfico, o que foi informado inicialmente ao Supremo Tribunal Federal, em Brasília.
A seguir, o processo chegou à Procuradoria da República, e agora à Justiça Federal de Cascavel, à qual Toledo está jurisdicionada. O procurador Celso Antônio Três disse ontem que há dúvidas quanto ao atual domicílio dos empresários e que eles se desfizeram das empresas. Segundo consta nos autos, a empresa inicial era a Indústria de Madeiras Toledo, da qual derivou a J.R.G. Painéis de Madeira.
A partir da última empresa, foi aberta uma subsidiária com o nome de Eurolaminas, em Santander, capital da Cantábria, ao norte da Espanha, e onde atuava através de seu representante, o espanhol Luciano Montero Vale. Segundo a procuradoria, os empresários de Toledo adquiriram a cocaína através de contatos na Colômbia e Bolívia e a acomodaram em compartimentos falsos de caixas de madeira, com 263 mil metros cúbicos, exportados para a Espanha no final de 96.
O carregamento partiu em caminhões de Toledo, permaneceu por curto período em Cascavel, e foi embarcado no Porto de Paranaguá, no navio espanhol Capitan Kiris. No país de destino, já havia investigações sobre a existência de uma quadrilha na rota ColômbiaBolíviaBrasilEspanha, com ramificação em Toledo. Quando os contêineres chegaram à sede da Eurolaminas, a polícia localizou a cocaína e prendeu em flagrante Luciano Vale.
Joaquim Antonio Tormena estava em Santander, na ocasião, mas conseguiu fugir para o Brasil. As empresas dos Tormena foram à falência e não se sabe a localização deles. A Folha tentou contatos com os acusados, através de terceiros, inclusive em escritório de advocacia que já os representou, mas não houve retorno.
No mercado europeu, cada quilo de cocaína com alto teor de pureza vale R$ 10 mil. O procurador Celso Antônio Três afirma que esta foi uma das maiores operações que se tem conhecimento, entre as que passaram pelo Brasil.





