A Justiça Federal de Cascavel decretou a indisponibilidade de bens imóveis dos irmãos Mauro Baratter e Antonio Carlos Baratter, donos da casa de câmbio ‘‘Cash’’, que teria intermediado transferências irregulares de dinheiro entre contas bancárias e aberto contas em nome de ‘‘laranjas’’ para ‘‘lavagem’’ de dinheiro.
Os irmãos Barater, de família tradicional, e o advogado Adelino Marcon começaram a se inteirar de detalhes da medida na tarde de ontem e avisaram que farão manifestação formal possivelmente hoje, através de uma nota. A decretação da indisponibilidade de bens havia sido solicitada pela Procuradoria da República em Cascavel, após investigações feitas também pela Polícia e Receita Federal, inclusive como parte da CPI dos Precatórios.
Entre fevereiro e junho deste ano, cerca de R$ 30 milhões teriam sido movimentados em duas contas abertas na agência local do Banco Mercantil do Brasil, em nome de dois ‘‘laranjas’’ - uma funcionária da ‘‘Cash’’ e um vendedor ambulante. O dinheiro poderia ter sido enviado para o Paraguai por contas ‘‘CC5’’, especiais para a finalidade.
A denúncia foi formalizada pelo procurador Celso Antonio Três, segundo o qual há outros envolvidos na ‘‘lavagem de dinheiro’’. As contas dos ‘‘laranjas’’, com grande volume de movimentação, não poderiam ter passado desapercebidas pela gerência da agência bancária e por trás delas há os ‘‘verdadeiros depositantes’’, disse o procurador. As investigações devem se voltar também para a procedência dos recursos, evasão de divisas, contabilidade paralela, contas irregulares no exterior e sonegação.
Antonio Carlos Baratter, ex-vereador pelo PSDB de Cascavel, disse ontem à tarde que ele e seu irmão não haviam tido ‘‘conhecimento formal do processo’’ e que, embora defendam ‘‘a necessidade da Justiça atuar com firmeza em todos os casos’’, consideram as acusações como ‘‘um grande equívoco’’.
Os irmãos Baratter preferem se manifestar com mais objetividade em uma nota, que podem distribuir hoje. O advogado Adelino Marcon disse que só no final da tarde teria acesso ao processo - em mãos do juiz Alexandre Delanni Mônaco.
Segundo Marcon, o bloqueio dos bens ‘‘e todo o envolvimento dos irmãos Baratter é um equívoco monstruoso’’, porque a família ‘‘é tradicional, tem todo seu patrimônio aqui e nunca foi posta sob qualquer suspeita’’. O advogado explicou que a casa de câmbio está arrendada para Romildo José Machado de Souza.

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