Justiça interdita Cadeia de Maringá
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quinta-feira, 27 de março de 2008
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
A pedido da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Justiça determinou anteontem a interdição da Cadeia Pública de Maringá e a remoção dos presos para outros locais por causa da superlotação e das más condições de higiene. Apenas neste mês esta foi a terceira cadeia interditada no Paraná - as outras foram em Foz do Iguaçu e Curitiba - pelas mesmas razões, o que colocou em suspeição a situação de mais de 1,4 mil presos, entre provisórios e condenados.
A Cadeia Pública de Maringá foi interditada por ordem da Vara de Execuções Penais (VEP) na última quarta-feira, quando abrigava 530 presos num espaço construído para 160. Pela manhã, a Polícia Civil ainda não tinha recebido orientações da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) sobre como agir, já que a ordem judicial determinava que nenhuma pessoa presa em flagrante deveria ser encaminhada para a unidade. Em Maringá, o governo do Estado praticamente concluiu as obras do Centro de Detenção Provisória, com 960 vagas. Mas o prédio ainda não foi inaugurado porque estaria dependendo do treinamento dos agentes penitenciários.
Em Foz do Iguaçu (Oeste), a interdição da Cadeia Pública Ladeumir Neves completou ontem 17 dias e a situação ainda era de superlotação. Com capacidade para 380 presos ontem estava com 770. Quando foi impedida pela Justiça de receber novos internos, a unidade estava com 813 presos. Segundo o diretor Hugo da Conceição, o problema está sendo atacado com remoções diárias para outras unidades da região, principalmente de presos condenados. O problema, porém, continua sendo a falta de vaga também nestes outros locais. O Governo também está construindo um novo Centro de Detenção com capacidade para 960 vagas na cidade mas não há previsão para inauguração.
Na Capital, o delegado do 11º Distrito Policial, Gerson Machado, informou que as transferências são diárias mas também acontecem de forma lenta. Desde a interdição, exigida pela Vigilância Sanitária no início do mês, apenas 11 presos foram transferidos. A unidade que tem 60 vagas estava ontem com 135 presos. De acordo com Machado, a intenção do governo seria a desativação definitiva da carceragem do DP, que funcionava na verdade como um mini-presídio, porque recebia presos de diversos outros distritos. ''A tendência é essa, até porque isso atrapalha muito os trabalhos da Polícia'', concluiu.
A assessoria da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) informou que o Departamento de Polícia Civil está estudando uma solução para o problema, principalmente com relação a Maringá. Por outro lado, o governo garantiu que a Polícia continuará com as prisões. A FOLHA procurou a assessoria da Secretaria de Estado da Justiça (Seju) para falar sobre as unidades em construção mas ninguém foi localizado.


