O delegado José Antônio Zuba de Oliva, o escrivão Otacílio Sales Grube e os policiais rodoviários estaduais Vilson Aparecido Guimarães de Souza, Neuradir Prevelato Colinete e Eric Tadeu Alves estão impedidos, liminarmente, de continuarem exercendo suas funções, sem prejuízo de seus vencimentos. Eles respondem a processo por concussão (extorsão praticada por funcionário público). O afastamento dos cargos foi resultado de uma ação civil pública, com pedido de liminar, movida pelo promotor da Vara Criminal de Ibiporã (14 km a leste de Londrina), Renato de Lima Castro, que foi acatada anteontem pelo juiz cível daquela comarca, Elsio Crozera.
Mesmo sob investigação, os policiais continuavam exercendo funções administrativas nas polícias Civil e Militar. Caso haja descumprimento da liminar, as polícias Civil e Militar estão sujeitas ao pagamento de multa diária no valor de R$ 10 mil, assim como os réus, que estão sujeitos a multa diária de R$ 2 mil. Além do afastamento, Castro pede na ação a condenação dos réus, com a consequente perda da função pública que exercem, a suspensão de seus direitos políticos por cinco anos, pagamento de multa e proibição de assinar contratos com o Poder Público.
A Folha teve acesso ao processo no cartório de Ibiporã. O juiz aponta em seu parecer que deferiu o pedido porque se não o fizesse, a permanência dos policiais em suas funções ''poderia resultar em interferências nocivas ao bom andamento do procedimento em questão...''.
Valendo da Lei de Improbidade Administrativa, o promotor argumentou na ação, entre outras coisas, que ''o afastamento, ainda que os réus não tivessem a propensão de 'subornar' ou ameaçar testemunhas, vítimas ou mesmo tumultuar o processo, é perfeitamente possível e recomendável, sobretudo porque se coloca em risco uma atividade pública essencial a segurança pública.'' O promotor foi procurado pela reportagem mas não comentou a decisão do juiz.
Além dos cinco policiais, também é réu no processo por concussão o escrivão aposentando Sebastião Aparecido de Almeida. Todos foram presos pela Promotoria de Investigações Criminais (PIC) em 22 de dezembro do ano passado, com base em acusação feita pela universitária Sandra Cristina Rosa. Ela e o marido teriam sido presos por suspeita de envolvimento em receptação de tratores roubados e para se livrarem do flagrante na Delegacia de Ibiporã, os policiais teriam exigido um Passat importado da suposta vítima, avaliado em cerca de R$ 15 mil. A negociação teria sido intermediada pelo advogado de Sandra, Giovane Macedo, que é co-réu na ação.
Na semana passada, Zuba, Grube e Almeida conseguiram habeas-corpus e foram postos em liberdade. Já os policiais rodoviários já respondiam em liberdade às acusações que estão sendo apuradas em um processo na Justiça Militar.

mockup