Madalena Bortolasse teve problemas com uma nota falsa de dinheiro e agora precisa de um advogado para defendê-la no processo. Já Sueli de Oliveira tem um tio preso e está com o processo em andamento. João Batista Diniz precisa fazer uma procuração para representar o irmão que é doente, junto ao banco.
São inúmeros os motivos que levam uma pessoa a precisar de um advogado. E nem sempre se pode pagar um, ou arcar com os pagamentos das custas do processo. Para as pessoas que não podem pagar um advogado sem comprometer sua subsistência, a Constituição Federal garante assistência gratuita. E que pode ser na forma dos Núcleos de Prática Jurídica dos cursos de Direito, de projetos de extensão desses mesmos cursos ou da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) ou ainda, através da Defensoria Pública.
A Lei Complementar nº 55, de 04 de fevereiro de 1991 instituiu a Defensoria Pública Estadual, um órgão ligado ao Poder Executivo e vinculado à Secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania. No Paraná, apenas Curitiba tem sua Defensoria Pública instalada.
A advogada Christine Márcia Bressan, membro do Conselho Penitenciário do Paraná, diz que a OAB sempre lutou e defendeu a regulamentação da Defensoria e ''em cumprimento da sua própria função social cumpre com seu dever, através do Projeto OAB - Cidadania'', do qual ela é coordenadora.
Madalena, Sueli e João Batista são assistidos pelo Escritório de Aplicação de Assuntos Jurídicos (EAAJ), da Universidade Estadual de Londrina (UEL), o mais antigo de Londrina. O EAAJ completa 35 anos em março do próximo ano e desde o seu início já registrou 79.331 causas, realizou 27.950 audiências, atendeu 545.729 pessoas, 73.350 processos foram encerrados e 5.983 ações estão em andamento.
Já se foi o tempo das longas filas. Hoje o EAAJ atende em três turnos, de segunda à quinta-feira. Nas sextas-feiras é feita a triagem, onde é verificado o tipo de ação a ser proposto, se esclarece dúvidas, dão-se orientações de como será o andamento do processo, quais documentos necessários e faz-se o encaminhamento para melhor dia e horário para atendimento já na semana seguinte. Depois disso a ação é distribuída para o acadêmico e professor/advogado orientador. O atendimento é feito por alunos do 4º e 5º anos. O EAAJ atende as áreas Cível e Trabalhista, Família e Sucessões, Previdenciário e Penal. No total são 468 acadêmicos, com 17 professores orientadores.
Segundo a professora Claudete Canezin, diretora do EAAJ, do início do ano até 30 de setembro estavam em andamento 5.983 processos. No mesmo período, foram 3.626 ações novas, 2.196 processos encerrados, foram realizadas 1.634 audiências. Passaram por triagem 2.861 pessoas. O EAAJ funciona como um grande escritório de advocacia para a população carente, mesmo nas férias. Neste período são atendidos somente os casos de urgência e os casos já em andamento, pois os alunos entram em férias e o número de estagiários fica restrito.

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