Justiça garantiu o uso da força policial
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 24 de julho de 2001
Carmem MuraraDe Curitiba 
A decisão do governo de retirar as mulheres de policiais militares de frente dos quartéis ganhou corpo com duas ações na Justiça. Na segunda-feira, um grupo de 30 policiais, pressionado pelo Palácio Iguaçu, entrou com habeas-corpus para poder transitar dentro do Quartel Geral. E, ontem à tarde, foi a vez da Procuradoria Geral do Estado acionar a Justiça e conseguir uma ordem de retirada das manifestantes.
A decisão mais importante foi a do juiz da Vara da Fazenda Pública, Orestes Dilay. Ele determinou que as mulheres dos policiais liberassem imediatamente a entrada dos quartéis em todo o Estado. A procuradoria havia feito a solicitação para que o juiz reconsiderasse a ordem judicial dada no final de maio, durante a primeira manifestação das mulheres.
Tão logo saiu a sentença, um oficial de Justiça foi até o quartel. Na decisão estava autorizado, em caso de resistência por parte das manifestantes, o uso da força policial.
Há uma semana, o governador Jaime Lerner havia dado um prazo para que os comandantes resolvessem a situação. Caso não demonstrassem eficiência, o passo seguinte seria a troca imediata do comando entre eles o coronel Gilberto Foltran. O governador estava irritado com os coronéis que não conseguiam frear as manifestantes. Cargo de confiança é cargo de confiança, insinuou o secretário de Segurança, José Tavares. Ele também disse que o governo iria apelar para ações individuais contra as mulheres. Já identificamos as mulheres e elas responderão pelos atos que cometeram.
Avançamos o máximo que podíamos, mas agora não dá mais para admitir desrespeito, disse Lerner, antes mesmo de saber o conteúdo da sentença judicial. (Carmem Murara e Israel Reinstein)


